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Análise

Coeficiente 0,50: o manual do Odesur confirma a conta que a gente deduziu, e entrega o 6,03 que faltava

Em 24 de setembro publicamos que a prova de velocidade do salto converte tempo em pontos a meio ponto por segundo, e dissemos que não sabíamos ler o 84s23 de Ivo Roza Filho. O manual técnico oficial do Odesur, que estava na nossa própria lista de fontes, confirma a fórmula com as mesmas palavras, confirma o arredondamento e devolve o número que faltava.

Redação BrazHorse · 26 de setembro de 2026 · 6 de leitura

Foto: Arte BrazHorse — capa de dado desenhada a partir do coeficiente citado no manual

Em 24 de setembro o BrazHorse publicou que o 1,74 ponto de penalidade do Brasil na estreia do salto do Odesur não vinha de barra derrubada, e sim de tempo convertido em pontos a meio ponto por segundo de diferença para o líder. Não tínhamos o regulamento na mão: deduzimos a regra dos quatro números que a fonte publicou, refazendo a conta um a um.

Na mesma matéria dissemos duas coisas que não sabíamos. A primeira: que não conseguíamos ler o 84s23 de Ivo Roza Filho, porque a fonte falava de quatro segundos de penalidade sem esclarecer se já estavam dentro daquele tempo. A segunda: que não afirmaríamos em que condição ele competiu, porque a conta por equipes descrita pela fonte envolvia quatro conjuntos e o dele não estava nela.

Dois dias depois, as três pendências estão respondidas, e por um documento que já estava na nossa própria lista de fontes: o manual técnico oficial dos XIII Jogos Sul-Americanos, versão 14, datado de 29 de maio de 2026.

"Each Athlete time will be multiplied by the coefficient 0.50 and converted into penalty points; the points must be rounded up or down at the second decimal place." É a frase do manual, na letra. O coeficiente é 0,50 — meio ponto por segundo, exatamente o que havíamos deduzido dos números.

O que o manual diz, por extenso

São quatro frases, e vale transcrever as quatro. A primeira anuncia o método: "The score obtained by each Athlete in the First Competition will be converted into penalty points, according to the following method".

A segunda é o coeficiente: "Each Athlete time will be multiplied by the coefficient 0.50 and converted into penalty points; the points must be rounded up or down at the second decimal place" — o tempo de cada atleta multiplicado por 0,50 e convertido em pontos de penalidade, com arredondamento na segunda casa decimal.

A terceira é a regra de arredondamento: "The second decimal will be rounded up from 0.005 and down from 0.004" — arredonda para cima a partir de 0,005 e para baixo a partir de 0,004.

A quarta é a subtração: "The Athlete with the lowest number of points after this conversion will receive zero penalty points; the other Athletes will receive the number of penalty points corresponding to the difference between their points and those of the leading Athlete" — o mais rápido fica com zero, os outros com a diferença.

O manual faz em dois passos o que fizemos em um: ele multiplica primeiro e subtrai depois; nós subtraímos primeiro e multiplicamos depois. Dá o mesmo número, e é o mesmo número que a fonte publicou. A dedução estava certa, e agora ela é oficial.

O arredondamento também estava certo, e isso é a prova mais fina

Aplicando a ordem do manual: Reynoso, 72s18, dá 36,09 pontos. Barcha, 73s87, dá 36,935. A diferença é 0,845 — e a fonte publicou 0,85. Carvalho, 73s95, dá 36,975; a diferença é 0,885 e a fonte publicou 0,89. Gouveia, 77s98, dá 38,99; a diferença é 2,900 exatos e a fonte publicou 2,90.

Repare no que os dois primeiros têm em comum: a terceira casa decimal é 5 nos dois casos, e os dois arredondaram para cima. É exatamente o que a terceira frase do manual manda fazer. Não é uma coincidência que se possa forçar — é a regra de arredondamento se confirmando em dois valores independentes.

O 6,03 de Ivo Roza Filho, por dois caminhos

Agora o número que dissemos não saber ler. Ivo Roza Filho fez 84s23 com Legendary JMen. Pela ordem do manual: 84,23 vezes 0,50 dá 42,115; menos os 36,09 de Reynoso dá 6,025; e 6,025 arredonda para cima, a partir de 0,005, em 6,03.

O segundo caminho não passa por conta nenhuma. Na classificação individual publicada na quinta-feira, depois da primeira rodada da final, Ivo Roza Filho aparece em décimo lugar com 10,03 pontos acumulados. Tirando os quatro pontos de uma falta na rodada, sobram 6,03.

Dois caminhos independentes, o mesmo número. Um sai da fórmula do manual aplicada ao tempo da estreia; o outro sai da subtração no acumulado que a fonte publicou dois dias depois. Eles não se referenciam, e chegam ao mesmo lugar.

E os quatro segundos ficam explicados. O manual define a primeira prova como "Table A course, judged under Table C" — a mesa em que falta no obstáculo não vale ponto, vale segundo somado ao tempo. Os quatro segundos de que a fonte falava não eram um número à parte: estavam dentro do 84s23. É a leitura que a aritmética confirma, porque só ela fecha em 6,03.

O reserva: o manual responde o que a fonte não respondia

A terceira pendência era a condição em que Ivo Roza Filho competiu. O manual resolve em uma linha: "The 5th horse-rider combination will be allowed to compete for the Individual medal" — o quinto conjunto de cada país pode disputar a medalha individual.

Sobre a composição, o manual diz: "A team shall consist of a minimum of three (3) Athletes and three (3) Horses and a maximum of four (4) Athletes and four (4) Horses, plus one (1) reserve". Quatro titulares mais um reserva; o reserva corre pelo individual. É por isso que o número dele nunca apareceu na conta do Brasil por equipes, e é a distinção que vínhamos insistindo em fazer sem poder fechar: correr não é estar na equipe.

O formato das três provas, também do manual

A primeira prova, classificatória individual e por equipes, é o percurso Table A julgado sob Table C, de 12 a 14 obstáculos e altura máxima de 1,45 m. É a prova de velocidade cuja conversão discutimos aqui.

A segunda prova, que correu na quinta-feira, é a final por equipes e vale também para o individual: duas rodadas no mesmo dia, "Table A, not against the clock and without a jump-off, at a speed of 375 m per minute", de 12 a 14 obstáculos e altura máxima de 1,50 m. Nela não há tempo convertido: os pontos são faltas.

A terceira é a final individual, de hoje, com duas rodadas, A e B, "Table A, not against the clock, with a time allowed at a speed of 375 m per minute".

E o manual fecha as duas regras de contagem que explicam todo o placar da semana. Por equipes: "The total penalties incurred by the three best placed athlete/horse combination of each nation in the First Competition and in each of the rounds of the Second Competition will count towards the Team placing" — os três melhores de cada nação em cada rodada. No individual: "The total penalties incurred in each of the three Competitions will count towards the individual overall placing" — tudo acumula, nada se descarta.

O que este número não diz

O coeficiente 0,50 explica a primeira prova e só ela. Não explica nenhum ponto da quinta-feira, porque a segunda prova não é contra o relógio. Quem tentar aplicar meio ponto por segundo aos números da final por equipes vai errar.

Confirmar uma fórmula não é confirmar um resultado. Continuamos sem ter aberto a ata oficial de nenhuma das provas do salto: os números que conferimos são os que dois veículos brasileiros publicaram. O que o manual prova é que a regra de cálculo que aplicamos é a regra do evento — não que os tempos e as colocações publicados estejam certos.

E lemos a versão 14, de 29 de maio de 2026. Não sabemos se houve versão posterior, nem se o júri de campo aplicou alguma variação autorizada durante o evento. Se houve, o que escrevemos aqui vale para o documento que lemos, não necessariamente para a pista.

O 6,03 de Ivo Roza Filho, por fim, é nosso, não é da fonte. Nenhum veículo publicou esse número. Publicamos porque dois caminhos independentes levam a ele e porque a fonte publicou o 10,03 do qual ele se deduz — mas se alguém abrir a ata individual e encontrar outro valor, a ata ganha.

A dívida que isto paga, e a lição

Em 24 de setembro deixamos três coisas em aberto com o leitor: a fórmula da conversão, o número que não sabíamos ler e a condição do reserva. As três estavam num único PDF de acesso público, que lê bem, e que já figurava na nossa lista de fontes desde 15 de setembro — hospedado, aliás, não pelo comitê organizador, mas por um site brasileiro de adestramento que o pendurou como anexo de matéria.

A lição é a de sempre, e é barata: o que a fonte linka também é fonte. Deduzir a regra dos números foi o caminho certo quando não havia documento; não abrir o documento que estava ali é o erro que custou dois dias. Ficam pagas as três dívidas, e fica registrado o atraso.

Fonte da fórmula, do arredondamento, do formato das provas, da composição das equipes e da regra do quinto conjunto: Manual Técnico Oficial dos XIII Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026, versão 14 de 29 de maio de 2026, em PDF — dado oficial, transcrito na letra e citado em inglês. Tempos da estreia, pontuações publicadas e o acumulado de 10,03 de Ivo Roza Filho: Olimpíada Todo Dia, matérias de 23 e 24 de setembro de 2026 — dado declarado por veículo, não conferido em ata. A aplicação da fórmula, a conferência do arredondamento e o 6,03: apuração nossa. Capa: arte BrazHorse desenhada a partir do coeficiente citado no manual — não é fotografia e não reproduz o documento.

Números apurados na base do BrazHorse, a partir do Ranking de Coberturas da ABCCH (temporada 2025/2026) e do catálogo próprio. Cada página de dado citada aqui declara sua fonte e o que não está coberto.

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