5 das 10 etapas em São Paulo: o circuito amador da CBH abre hoje a 8ª rodada
A CBH publicou a contagem "após 7 de 10 etapas". Lemos as cinco listas de classificação e o calendário oficial. As dez etapas do circuito nacional de amadores e masters cabem em quatro unidades da federação e em seis clubes.
Redação BrazHorse · 2 de setembro de 2026 · 8 de leitura

Começa hoje, no Clube Hípico de Santo Amaro, em São Paulo, o CSI2*-W e CSN4* do 91º aniversário do clube. Para o calendário internacional, é mais uma semana. Para o hipismo amador brasileiro, é a 8ª de 10 etapas do Circuito Amador e Master da CBH — a penúltima antes da final, marcada para dezembro.
A última contagem que a confederação publicou é de 17 de agosto e se chama, literalmente, "Contagem Circuito Amadores e Masters CBH 2026 após 7 de 10 etapas". São cinco documentos, um por faixa de altura. Lemos os cinco. E lemos também o Calendário Geral 2026 da própria CBH, aprovado pelo Conselho de Administração em 04/11/2025 e alterado em 21/05/2026.
O que sai do cruzamento dos dois é menos sobre quem está ganhando e mais sobre onde o circuito acontece.
As dez etapas do Circuito Amador e Master da CBH em 2026 acontecem em quatro unidades da federação — São Paulo, Paraná, Distrito Federal e Rio de Janeiro — e em seis clubes. Cinco das dez são em São Paulo.
O mapa
São Paulo recebe cinco: a 1ª etapa (CSN 10º SHP Open, 26 a 29 de março, na Sociedade Hípica Paulista), a 4ª (CSN D'Maio, 13 a 17 de maio, no Clube Hípico de Santo Amaro), a 8ª (a que começa hoje, também no Santo Amaro), a 9ª (CSN Agromen, 15 a 18 de outubro, no Centro Hípico Agromen) e a 10ª e final (CSN 11º Top Riders, 2 a 6 de dezembro, de volta à Sociedade Hípica Paulista).
O Paraná recebe duas, as duas em Curitiba: a 2ª (CSI-W e CSN Curitiba, 22 a 26 de abril) e a 7ª (CSN 81º Aniversário da SHPR, 5 a 9 de agosto). O Distrito Federal recebe duas, as duas na Sociedade Hípica de Brasília: a 3ª (CSN Copa JK, 7 a 10 de maio) e a 6ª (CBS Amador e Sênior Top, 8 a 12 de julho). O Rio de Janeiro recebe uma: a 5ª (CSN Santa Cecília e Santo Antônio, 27 a 31 de maio, na Sociedade Hípica Brasileira).
Norte, Nordeste, o restante do Centro-Oeste e o restante do Sul não recebem nenhuma.
A conta fecha com o documento da própria CBH. O cabeçalho das listas de classificação nomeia sete provas: CSN Open, CSI/CSN Curitiba, CSN Copa JK, CSN D'Maio, CSN Santo Antônio, CBS Amadores e CSN Aniversário SHPR. São exatamente as etapas 1 a 7 do calendário, na ordem. É isso que a expressão "após 7 de 10" quer dizer, e é o que a etapa de hoje vem alterar.
A pirâmide não é uma pirâmide
As cinco listas cobrem cinco alturas, do metro ao 1,40 m. A última posição registrada em cada uma: a de 1 metro (Amador B e Master B) vai até a posição 98; a de 1,10 m (Amador A e Master A) até a 119; a de 1,20 m (Amador e Master) até a 117; a de 1,30 m (Amador Top e Master Top) até a 89; a de 1,40 m (Amador Super Top) até a 39.
Somadas, 462 posições. E o desenho não é o de uma pirâmide. A faixa mais larga do circuito não é a de entrada: é a de 1,10 m. O degrau de 1 metro, que deveria ser a base, tem 98 posições — menos que os dois degraus imediatamente acima dele.
Do degrau mais largo ao mais alto, a queda é de 119 para 39. O circuito amador de 1,40 m do país inteiro classifica menos de um terço do que classifica o de 1,10 m.
Em todas as cinco listas, a última posição pertence a conjuntos com zero ponto. O ranking registra quem entrou, não só quem pontuou.
Quem lidera monta o quê
Cruzamos os 25 conjuntos do top 5 de cada altura contra a base de animais da ABCCH. Quinze estão registrados como Brasileiro de Hipismo, nascidos no Brasil e não importados.
A 1 metro: Cheval Spartak Cooper (IA), 2012, criação de Mauricio Tedeschi Delgado no Haras Cooper, e Beladona Mystic Rose (IA), 2017, do Haras Rosa Mystica. A 1,10 m: Xereta das Cataratas (IA), 2012, do Haras Cataratas; Mantra Pullman (TE), 2012, do Haras Pullman; e Fionna GMS (IA), 2011, do Haras Primavera, registrada em nome da própria atleta que a monta.
A 1,20 m: Casta Diva II JMen (TE), 2018, e Diorella JMen (IA), 2013, as duas do Haras Agromen; Aretha da Essência (TE), 2017, do Haras da Essência; e Yasmin Tok (TE), 2018, do Haras Tok. A 1,30 m: Prospector Santa Rosa (IA), 2015, de Remo Tellini; BF Godfather (TE), 2018, do Haras Boa Fé; e Celestino JMen (TE), 2015, do Agromen.
A 1,40 m, os três primeiros da lista são de criação brasileira: JS Shandova (TE), 2014, criada por Jefferson Andrade Sinimbu e registrada em nome dele — o atleta que a monta chama-se Alberto Bento Sinimbu, e a coincidência de sobrenome não foi verificada por nós; Zandor Mat (TE), 2010, do Haras MAT, registrado em nome do próprio atleta; e V. Bionce Tok (TE), 2015, do Haras Tok.
Dois aparecem na base como importados: Iluna, quinta colocada a 1 metro, Sela Belga nascida na Bélgica em 2008, e Le Diamant Horta, segundo a 1,30 m, Sela Belga nascido em 2011.
Oito não localizamos com segurança: Czar Virgolino, Manege Cabral Cookie, Colt, Henry Jota Giant, Carminia Z, Dalivia Z, Favall e SL Oscar. O caso de "Colt", líder a 1,10 m, é o mais claro: a base tem três registros com esse nome exato, dois deles alemães marcados como usados apenas para genealogia e um marcado como sem registro no stud book, nenhum com data de nascimento. Não dá para dizer qual é. Dizer seria inventar.
Uma ambiguidade que se registra em vez de resolver às escondidas: "V. Bionce Tok de Mor", terceiro a 1,40 m, bate com dois registros — V. Bionce Tok (TE), 0022987-BH, e V. Bionce Tok (TE) (IA), 0022978-BH. Mesma data de nascimento, 17 de setembro de 2015, e o mesmo criador, o Haras Tok. Os dois são de criação brasileira, então a conta não muda.
15 de 15, contra 28 de 100
Há um padrão nos quinze cavalos de criação brasileira que lideram o circuito, e ele não é sobre haras: é sobre como o cavalo veio ao mundo. Os quinze trazem no nome de registro o sufixo (TE) ou (IA) — na nomenclatura do stud book, transferência de embrião e inseminação artificial. Quinze de quinze.
Para saber se isso é muito, medimos contra a base inteira. Entre os 32.506 animais registrados como Brasileiro de Hipismo e não importados, 9.018 trazem um dos dois sufixos — 27,7%. Na liderança do circuito amador, são 100%.
A explicação inocente, escrita por extenso: um top 5 não é uma amostra aleatória do stud book. A base inclui todos os animais registrados, de todas as idades e de todos os destinos, inclusive os que nunca competiram; a liderança do circuito é feita de cavalos selecionados para competir. É perfeitamente possível que a diferença seja só isso — reprodução assistida sendo usada onde há investimento em desempenho, e não uma vantagem da técnica.
Vale dizer também o que não estamos dizendo. Não estamos dizendo que TE ou IA fazem o cavalo saltar melhor. Não estamos dizendo que quinze é uma amostra grande — não é. E não estamos dizendo que os oito conjuntos que não localizamos confirmariam o padrão: podem quebrá-lo inteiro.
O que estes números não dizem
Primeiro: o ranking conta conjuntos, não pessoas. Shanna Harrouche Garcia ocupa sozinha a 2ª e a 4ª posição a 1,30 m, com dois cavalos diferentes. A mesma pessoa pode aparecer várias vezes e em mais de uma altura. Nenhum dos números aqui é uma contagem de gente.
Segundo: a última posição de uma lista não é o número de linhas dela. Empates dividem posição. O que lemos, e o que estamos publicando, é o último número da coluna de classificação de cada documento, conferido em duas leituras independentes de cada PDF. As 462 posições são a nossa soma desses cinco números — é aritmética sobre dados literais, não um número da CBH.
Terceiro: tentamos ler, em cada PDF, quantas e quais etapas cada categoria efetivamente contabilizou, e duas leituras do mesmo documento devolveram listas diferentes. Por isso não estamos dizendo quantas etapas cada altura pontuou. Estamos dizendo o que o título do comunicado diz: sete de dez.
Quarto: a base registra o proprietário do momento do registro, não o de hoje. Onde escrevemos que um cavalo está em nome do atleta que o monta, isso vale para o registro, não necessariamente para 2026.
Quinto, e o mais importante: este é o mapa do circuito da CBH, não o mapa do hipismo amador brasileiro. Cada federação estadual roda o seu próprio ranking, e há competição de amador em estados que não recebem etapa nenhuma. O circuito é onde se decide o título nacional; não é onde todo mundo monta.
E o mapa não se explica sozinho. Uma etapa acontece onde existe clube em condições de sediar um CSN ou um CSIW e onde esse clube se candidata. Não perguntamos à CBH por que o calendário tem esse desenho, e não temos resposta dela. Quem for repercutir, repercuta com essa ressalva.
Duas coisas que checamos e que não viraram manchete
O CSI e CSN1* Amadores da Casa CBH, em Indaiatuba, programado para 27 a 30 de agosto e adiado por comunicado de 18 de agosto sem que o motivo fosse dado, não é uma das dez etapas do circuito. Conferimos no calendário. O circuito não perdeu etapa.
E a 9ª etapa, em 15 a 18 de outubro, corre no Centro Hípico Agromen — a mesma casa cujo afixo aparece nos seis cavalos do Time Brasil de salto convocado para o Odesur, assunto da nossa matéria de ontem. Três dos quinze cavalos de criação brasileira na liderança do circuito amador também saíram de lá. Registramos a coincidência de nomes; não verificamos nenhuma relação societária, e coincidência de nome não é prova de nada.
Procedência: Comunicado "Contagem Circuito Amadores e Masters CBH 2026 após 7 de 10 etapas", de 17/08/2026, e os cinco PDFs de classificação anexos a ele; Calendário Geral CBH 2026, aprovado em 04/11/2025 e alterado em 21/05/2026; e a base de animais da ABCCH. As datas, os locais e as posições são dados oficiais, lidos na origem. As somas, o cruzamento com o stud book e o percentual de 27,7% são cálculo nosso. Capa: ilustração BrazHorse, com imagem de fundo gerada por inteligência artificial — não retrata nenhum atleta, cavalo, clube ou prova citados nesta matéria.
