4 conjuntos, 8 resultados e 0 pódios: o que o Brasil fez no Mundial de paradestramento
A prova foi em 19 de agosto. O resultado está publicado, completo, com nota, colocação e tamanho de campo — em inglês, na Europa. Quarenta e oito dias depois, nenhuma fonte brasileira que lemos publicou uma linha.
Redação BrazHorse · 6 de outubro de 2026 · 9 de leitura

O Campeonato Mundial de paradestramento de 2026 correu em Aachen, na Alemanha, em agosto. O Brasil levou quatro conjuntos, que somaram oito resultados entre as duas provas de Grand Prix. O melhor deles foi um oitavo lugar.
O resultado não é novo nem é secreto: está publicado, com colocação, nota exata e tamanho de campo, desde 19 de agosto. Está em inglês, num site europeu. Nenhuma das fontes brasileiras que lemos publicou uma linha sobre ele.
71,333% é a melhor nota brasileira do Mundial de paradestramento de 2026. Foi de Sergio Froes Ribeiro De Oliva com Novidade VO, no Grand Prix B do Grau I, e rendeu o oitavo lugar — o único resultado brasileiro entre os oito primeiros, em oito tentativas.
Os oito resultados, um por um
Sergio Froes Ribeiro De Oliva, com Novidade VO, no Grau I: 12º no Grand Prix A, com 69,834%, e 8º no Grand Prix B, com 71,333%. É o único brasileiro que entrou num top 8.
Cleberson Antunes Palhano, com Fronterizzo Da El Comandante, também no Grau I: 18º no Grand Prix A, com 64,583%, e 15º no Grand Prix B, com 66,084%. Subiu três posições entre as duas provas e melhorou um ponto e meio de nota.
Flamarion Pereira Da Silva, com Don Furitello, no Grau II: 10º no Grand Prix A, com 63,552%, e 11º no Grand Prix B, com 63,233%. É o único dos quatro que piorou nas duas medidas, colocação e nota.
Rodolpho Riskalla, no Grau V: 15º no Grand Prix A, com 66,795%, e 15º no Grand Prix B, com 66,474%. É o único dos quatro com a mesma colocação nas duas provas, e com notas quase idênticas.
Sem o tamanho do campo, a tabela mente
Os três graus em que o Brasil competiu tinham campos de tamanhos muito diferentes: 20 competidores no Grau I, 12 no Grau II e 21 no Grau V.
Isso muda a leitura. A melhor colocação brasileira no Grand Prix A foi o 10º de Flamarion — num campo de 12. O 15º de Riskalla, na mesma prova, foi num campo de 21. Colocação melhor em campo menor não é desempenho melhor, e é por isso que publicamos o tamanho do campo junto de cada número.
Entre a convocação e a prova, Riskalla trocou de cavalo
O Comitê Paralímpico Brasileiro publicou a convocação em 29 de julho. O texto diz, literalmente: “Grau V: Rodolpho Riskalla com Denzel”.
Em 18 de agosto, na véspera das provas, o mesmo CPB publicou outra matéria. Nela o conjunto aparece como “Rodolpho Riskalla (Grau V) com Franziskaner”. No resultado, o cavalo é Franziskaner 13 numa prova e Franziskaner na outra.
Em adestramento, atleta e cavalo são um conjunto: o conjunto convocado não foi o que entrou na pista. O órgão publicou os dois nomes, em duas matérias suas, e não registrou a troca em nenhuma das duas.
Não sabemos o motivo. Pode ter sido exame veterinário, lesão, transporte ou escolha técnica — nada disso está escrito em lugar nenhum que tenhamos lido, e não vamos atribuir uma causa que a fonte não dá.
Três datas de início para o mesmo Mundial
A convocação do CPB, de 29 de julho, diz que o Mundial é de 13 a 21 de agosto. A matéria do mesmo CPB, de 18 de agosto, fala em provas a partir de quarta-feira, 19, até domingo, 23. O nosso próprio registro de contexto trazia 11 a 23 de agosto.
A explicação que fecha, e é favorável a todos: Aachen 2026 é um Mundial multidisciplinar que corre de 11 a 23 de agosto, e o paradestramento é um bloco dentro dele. As três janelas podem ser o evento inteiro, o bloco planejado e as provas efetivas. Não estamos dizendo que alguém errou.
O que estes números não dizem
Eles dizem onde cada conjunto brasileiro terminou duas provas. Nada além disso.
Não dizem se o Brasil disputou classificação por equipes, nem qual foi: não localizamos resultado por equipes do Brasil em nenhuma fonte que lemos.
Não dizem quem venceu as provas que os brasileiros correram. A fonte publica os vencedores do estilo livre, que é uma terceira prova, não o Grand Prix A nem o B — e por isso aqueles nomes não são, e não serão apresentados como, quem bateu os brasileiros. Não lemos o vencedor do Grand Prix A nem do B de nenhum grau.
Não localizamos brasileiro na lista de estilo livre que lemos, e isso não é o mesmo que dizer que nenhum se classificou. Não conferimos o critério de classificação de 2026. A frase é “não localizamos”.
O zero do título é dos oito resultados que lemos, e só deles: nos dois Grand Prix, em três graus, nenhum conjunto brasileiro terminou entre os três primeiros. Não é uma conta sobre o Mundial inteiro, porque não lemos o estilo livre.
E não dizem como esta campanha se compara às anteriores. Não apuramos os resultados brasileiros do Mundial passado, então não escrevemos “melhor” nem “pior” campanha — e quem for repercutir, repercuta sem esse adjetivo.
Quem nós consultamos antes de dizer que ninguém publicou
Comitê Paralímpico Brasileiro, que publicou a convocação em 29 de julho e a véspera em 18 de agosto, e depois nada de hipismo. Confederação Brasileira de Hipismo, cujo site não abre para nós há dezessete dias. Federação Paranaense de Hipismo, que publicou sobre um dos quatro atletas, em 31 de agosto, sem resultado.
Mais Cavalus, Federação Paulista de Hipismo, Federação Hípica de Brasília, Federação Hípica de Minas Gerais e Adestramento Brasil. A lista é a ressalva: é possível que alguém tenha publicado e nós não tenhamos lido.
A correção do nosso próprio registro
Esta matéria devia ter saído há sete semanas, e a culpa é nossa. O nosso documento de pauta dava o paraequestre como assunto encerrado — mas o que estava encerrado era o paraequestre no Odesur, que não existe no programa de 2026. Pauta encerrada numa competição não é pauta encerrada numa modalidade, e a confusão entre as duas coisas custou o Mundial.
Pior: este dado estava na nossa própria lista de perguntas abertas desde agosto, com o nome de Riskalla escrito nela. A resposta estava a uma busca de distância, em inglês, num site europeu que publica resultado de paradestramento há anos. Ninguém foi.
Fontes: Eurodressage, “Scores: 2026 World Para Dressage Championships”, de 19 de agosto de 2026, para as colocações, as notas e o tamanho dos campos.
Comitê Paralímpico Brasileiro para a convocação, de 29 de julho, e para as datas e horários de prova, de 18 de agosto. Federação Paranaense de Hipismo, de 31 de agosto, para o perfil de Cleberson Palhano.
As notas e colocações são OFICIAIS, de resultado publicado. A troca de cavalo e a divergência de datas são cruzamentos NOSSOS entre dois documentos do mesmo órgão. Não localizamos comunicado da CBH: o site não abre desde 20 de setembro.
Capa: arte gerada sobre o dado, não registro fotográfico. Não há foto do fato em fonte da nossa allowlist — a única foto do CPB é creditada a Alessandra Cabral/CPB e é de Paris 2024, outro evento, e a matéria da federação do Paraná traz apenas o ícone institucional.
