39s48 e 40s85: o Brasil é vice-campeão da Liga das Nações, decidido no desempate
O Brasil subiu ao pódio da final de Barcelona em segundo lugar, com 4 pontos, à frente de Bélgica e Estados Unidos. O título com a Alemanha só se definiu no desempate: Rodrigo Pessoa e Major Tom cravaram 39s48, 1,37 segundo à frente de Richard Vogel e Cloudio, e derrubaram o obstáculo 1.
Redação BrazHorse · 5 de outubro de 2026 · 9 de leitura

O Brasil é vice-campeão da Longines League of Nations. A final foi disputada no domingo, 4 de outubro, no Real Club de Polo de Barcelona, e o título só se decidiu no desempate, que o Brasil perdeu para a Alemanha por uma barra derrubada, depois de fazer o percurso mais rápido.
Brasil e Alemanha terminaram as duas voltas empatados. Pelo regulamento, cada país voltou à pista com um conjunto. Rodrigo Pessoa e Major Tom entraram primeiro e cravaram 39s48, mas derrubaram o obstáculo 1. Richard Vogel e Cloudio responderam com 40s85, sem faltas, e a Alemanha levou o seu segundo título na competição.
39s48 contra 40s85. Pessoa e Major Tom fizeram o desempate 1,37 segundo mais rápido que os campeões, e derrubaram a primeira barra do percurso. Em desempate de salto, o tempo só separa percursos com o mesmo número de faltas. A barra tornou o tempo irrelevante para o resultado: ser mais rápido não é passar. A subtração de 1,37 segundo é nossa, nenhuma das cinco fontes publica a diferença.
Como o Brasil chegou ao desempate
O documento oficial da prova descreve a final como competição internacional por equipes em duas voltas, tabela A, artigo LLN 6.4 da FEI, a 1,60 m, com prêmio total de 1.600.000 euros.
Na primeira volta largam quatro conjuntos por país e contam os três melhores. Na segunda, voltam três por país, todos os resultados contam, e as penalidades da primeira volta são transportadas.
O Brasil fez dois duplos zeros. Stephan de Freitas Barcha, com Chevaux Primavera Imperio Egipcio, passou limpo nas duas voltas. João Victor Castro Aguiar Gomes de Lima, com Cashpaid J&F, fez o mesmo.
Rodrigo Pessoa e Major Tom derrubaram uma barra na primeira volta e passaram limpos na segunda. Pedro Junqueira Muylaert, com Gemme Villers, largou a primeira volta e não foi um dos três da segunda. O Brasil fechou a final com 4 pontos.
O pódio, e onde a tabela para
Alemanha campeã, sem faltas. Brasil em segundo, com 4. Bélgica em terceiro, com 5. Estados Unidos em quarto, com 12. Itália em quinto e Grã-Bretanha, campeã do ano anterior, em sexto.
A tabela para aí, e a razão se declara: a tabela completa veio da Confederação Brasileira de Hipismo: Bélgica 5 pontos, Estados Unidos 12, Itália 16, Grã-Bretanha 20, Irlanda 20, França 21 e Espanha 36. Grã-Bretanha e Irlanda terminaram empatadas em pontos.
Dos cinco convocados, quatro largaram
O Brasil anunciou cinco nomes para Barcelona: Rodrigo Pessoa, Pedro Veniss, João Victor Castro Aguiar Gomes de Lima, Stephan de Freitas Barcha e Pedro Junqueira Muylaert. A ordem de partida oficial da prova traz quatro brasileiros, nas posições 6, 15, 24 e 33 do giro: Pessoa com Major Tom, o conjunto de Cashpaid J&F, Muylaert com Gemme Villers e Barcha.
Pedro Veniss não está na ordem de partida da primeira volta. Como na segunda voltam três de entre os quatro que largaram, a leitura é que ele não montou em volta nenhuma, e essa leitura é nossa, não da fonte: não localizamos ordem de partida da segunda volta. Nenhuma das fontes publica o motivo, e convocar cinco para um formato de quatro e três significa, por desenho do regulamento, que alguém não monta. Não é demérito, e aqui não se insinua motivo.
A barra caiu duas vezes no mesmo obstáculo
Três das cinco fontes registram o mesmo detalhe, de forma independente: a barra que Major Tom derrubou na primeira volta e a que derrubou no desempate caíram no mesmo lugar, o obstáculo 1. Foi a segunda final consecutiva da competição decidida em desempate.
O que este número não diz
O 4 diz onde o Brasil terminou e por quanto, e nada além. A conta, que a Confederação Brasileira de Hipismo fechou: na primeira volta, Barcha e João Victor zeraram, Pessoa e Muylaert derrubaram uma barra cada. Contando os três melhores, o Brasil saiu da primeira volta com 4 pontos. Na segunda, os três que voltaram passaram limpos. Os 4 pontos do Brasil na final inteira vieram, portanto, da primeira volta.
Não diz por que Pedro Veniss não montou. E há um número que não fecha entre as fontes: o tempo de Rodrigo Pessoa no desempate. Cinco veículos internacionais publicam 39s48. A Confederação Brasileira de Hipismo publica 39s45 no texto da matéria e 39s46 no quadro de resultados, duas grafias diferentes no mesmo documento. Adotamos 39s48, que é o número em que as cinco fontes independentes coincidem, e registramos a divergência em vez de escondê-la. Quem for repercutir, repercuta com essa ressalva.
E não diz nada que venha do documento oficial de resultado, porque não o localizamos. O documento oficial que lemos é a ordem de partida da prova, e foi dela que saíram o cabeçalho técnico, o prêmio e a relação dos quatro brasileiros que largaram. Duas tentativas de caminho para o arquivo de resultado no mesmo diretório deram erro 404, e a navegação do sistema de resultados não abre sem JavaScript. O pódio e as faltas dos quatro primeiros vêm de cinco veículos, de cinco países, não do documento.
Também não diz se este é o melhor resultado da história do Brasil na competição. A própria FEI registra o Brasil como quinto na final inaugural de 2024 e quarto na final da Copa das Nações de 2023. O vice de 2026 é melhor do que esses dois números, mas a série histórica completa não foi lida e a competição mudou de formato em 2024. É o melhor resultado do Brasil nas três edições da Liga das Nações, segundo os números que a FEI publica, e é só isso que estamos dizendo.
E uma correção do nosso próprio registro
Esta matéria sai seis dias depois da última publicação do BrazHorse, que é de 29 de setembro. O site ficou sem publicar de 30 de setembro a 4 de outubro por falha de ferramenta na nossa rotina, não por falta de pauta: a apuração desses dias existe e está arquivada. Entre o que ficou de fora está a tabela da fase regular, em que o Brasil terminou quarto entre dez países, com 270 pontos, e a convocação dos cinco para Barcelona. O leitor merece saber que o atraso é nosso.
O segundo registro é mais desconfortável, e também é fato verificável. No dia seguinte à final, checamos doze fontes brasileiras uma a uma. A Confederação Brasileira de Hipismo está com o site fora do ar há dezesseis dias. O Canal do Hipismo tem a home parada em 27 de maio. A Cavalus não publica hipismo há sete dias. A Revista Horse bloqueia leitura automatizada.
Também checamos o Trote e Galope, o Adestramento Brasil, as federações de São Paulo, Brasília, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, a Sociedade Hípica Paulista, o Comitê Paralímpico Brasileiro e busca aberta em português. Nenhuma dessas havia publicado o resultado.
E aqui vai a correção, que é nossa e importa mais do que a constatação. A Confederação Brasileira de Hipismo publicou o resultado, com matéria própria e fotos próprias, à 1h02 da madrugada de 5 de outubro em horário universal. Dez horas antes da nossa varredura. Nós é que não lemos: as tentativas de abrir o site da entidade naquela manhã voltaram com erro de servidor, pelo décimo sexto dia seguido, e nós registramos como ausência o que era falha nossa de acesso. A frase certa nunca foi que ninguém publicou, e sim que nós não conseguimos ler quem publicou.
Fontes: World of Showjumping, reproduzindo comunicado da FEI, Chronicle of the Horse, spring-reiter.de, So Horse e Equestrian Insights, todas de 4 de outubro de 2026, e o documento oficial do evento no hippo data, que é a ordem de partida da prova 12.
O pódio, os tempos do desempate, o formato das duas voltas, a altura, a tabela, o prêmio de 1.600.000 euros e a relação dos quatro brasileiros na ordem de partida são oficiais ou de veículo identificado. A diferença de 1,37 segundo entre os dois percursos do desempate é subtração nossa. Que Pedro Veniss não tenha montado em volta nenhuma é inferência nossa a partir do formato.
A decomposição dos 4 pontos do Brasil e a nota de Pedro Junqueira Muylaert não são publicadas por nenhuma das fontes, e a classificação do sétimo ao nono lugar não é publicada de forma concordante. Não localizamos comunicado da Confederação Brasileira de Hipismo: o site está fora do ar desde 20 de setembro. A classificação completa das nove nações, a decomposição dos 4 pontos do Brasil, o desenho do percurso e o nome do chefe de equipe vêm da matéria da Confederação Brasileira de Hipismo, publicada em 4 de outubro de 2026 e creditada por ela como CBH com informações FEI. Capa: foto de Luis Ruas, divulgada pela Confederação Brasileira de Hipismo. Esta matéria foi escrita na manhã de 5 de outubro, com o resultado da véspera.
