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18, 21, 24, 30 e 40 anos: a CBH pôs idade mínima em cada degrau da carreira de juiz de salto

Três normativas assinadas em 2026 reescrevem a vida profissional de quem julga, comissaria e arma percurso no Brasil — com nota mínima 8,0, rebaixamento automático e multa de R$ 2.000 ao oficial reincidente. A Confederação anunciou a mudança em 28 de agosto sem publicar um único número. Nós lemos os documentos.

Redação BrazHorse · 31 de agosto de 2026 · 6 de leitura

Foto: Arte BrazHorse sobre a Normativa O.T. Salto 2026 da CBH

Em 28 de agosto a CBH publicou uma matéria com o título "CBH amplia ações de qualificação e atualiza normativa para oficiais: saiba mais". O texto fala em "uma nova e rigorosa normativa para a carreira dos oficiais", cita duas palestras de julho e traz uma frase da coordenadora da Secretaria de Educação e Desenvolvimento, Erica Sporiello: "Hoje o oficial precisa estar atento ao currículo porque é um profissional e vende a qualidade do seu trabalho." O que a matéria não traz é um número sequer da normativa que ela anuncia.

Os documentos estão publicados desde 2 de julho, num comunicado da própria Confederação, e ninguém os leu em público. São três — Salto, Adestramento e Hipismo Completo —, e definem quem pode julgar, comissariar e armar percurso no Brasil, em que nível, com que nota e por quanto tempo. Nós lemos os três, mais a política de sanções que os acompanha. Estes são os números.

A carreira de Juiz de Salto passou a ter cinco níveis, e cada um tem idade mínima própria: 18 anos no Nível 1, 21 no Nível 2, 24 no Nível 3, 30 no Nível 4 e 40 anos para ser Tutor. Em todos os exames, a nota exigida é "igual ou superior a 8,0 (oito)".

A escada do salto

A Normativa O.T. Salto 2026, datada de 14 de junho de 2026 e assinada pela Diretoria de Educação e Desenvolvimento da CBH, organiza o juiz em cinco degraus: Juiz Secretário Nacional, Juiz Candidato Nacional, Juiz Nacional, Juiz Nacional Oficial e Tutor de Juízes de Salto.

Para entrar no primeiro degrau é preciso "ter atuado como Membro do Júri de Campo em, no mínimo, quatro concursos estaduais" no ano anterior e ser aprovado no curso de formação "com nota igual ou superior a 8,0". E há um relógio: "O Juiz Secretário Nacional pode permanecer na lista por, no máximo, três anos. Caso não seja promovido para o Nível 2 nesse período, será excluído da lista." Quem entra e não sobe, sai.

Nos níveis seguintes, a exigência deixa de ser só de entrada e passa a ser de permanência. Manter o nível pede curso de atualização a cada dois anos, atuação em "no mínimo 4 Eventos Nacionais nos últimos 2 anos" e em "pelo menos 8 eventos estaduais durante os últimos 4 anos". Quem não cumpre não é advertido: é rebaixado. O texto do Nível 4 é explícito — "O não cumprimento destes requisitos no prazo estabelecido resultará na reclassificação automática para o nível imediatamente inferior, mediante ato administrativo da CBH".

E a porta internacional é estreita por escrito: "Apenas Juízes Nacionais Oficiais (Nível 4) e Nacionais (Nível 3) podem ser indicados pela CBH para participação em cursos de formação e aprovação de Juízes Candidatos Internacionais." Ou seja, antes dos 24 anos de idade mínima do Nível 3, ninguém é indicado para a carreira FEI.

Comissário e desenhador: o mesmo desenho, outros números

O comissário de salto ganhou seis faixas, do Estagiário ao Tutor. Para começar são exigidos 18 anos completos e ensino médio concluído. Depois vem a contagem: mínimo de um ano como estagiário, atuação em seis concursos oficiais — "sendo permitido no máximo 2 (dois) CSIe" —, e dois anos em cada nível seguinte. A partir do Nível 2, a promoção passa por "avaliação oral realizada por banca examinadora composta por 3 (três) Tutores". O curso de atualização, a cada dois anos, exige aprovação "com média superior a 80% da avaliação proposta".

O desenhador de percurso é onde os números viram altura. O estagiário precisa cumprir "o cumprimento mínimo de 10 (dez) assistências técnicas em concursos oficiais". O Nível 1 pode "desenhar percursos com altura de até 1,20 m". O Nível 2, "até 1,40m", e Campeonatos Brasileiros até 1,25 m — para chegar lá, é preciso ter atuado "como desenhador em, no mínimo, 12 (doze) eventos oficiais, distribuídos ao longo de até 2 (dois) anos". O Nível 3 é quem pode armar "provas até 1,50m / 1,60m" — e só ele pode ser indicado ao curso FEI de uma estrela.

A mesma confederação, três réguas

Aqui está o achado que a leitura dos três documentos entrega e que nenhum deles diz sozinho: a CBH não cobra o mesmo dos oficiais das três disciplinas.

No salto, a nota mínima nos exames é 8,0, há cinco níveis de juiz e cada um tem idade mínima. No adestramento, a Normativa O.T. Adestramento 2026, atualizada em 28 de maio, exige "média igual ou superior a 7,0 (sete) em cada uma delas" nas provas teórica e prática — um ponto a menos — e a transcrição que fizemos não localizou idade mínima em nenhum nível. No hipismo completo, cujo documento também traz "Atualizado em 28.Maio.2026", há três níveis por função, a idade aparece uma única vez ("ter, no mínimo, 18 anos") e não encontramos nota numérica alguma: o texto trabalha com "aprovado" e "avaliações positivas".

Há outra assimetria que vale registrar. O adestramento exige do candidato a juiz que ele tenha montado: "prova como cavaleiro em eventos da modalidade em âmbito nacional", além de "no mínimo 2 (dois) anos como Juiz em julgamento de provas". Também exige Shadow Judging e Sit-in de seis cavalos cada, "sendo obrigatoriamente 2 (dois) cavalos da série MII". Na normativa do salto que lemos, não há exigência equivalente de ter competido.

E o adestramento tem a regra mais dura de esvaziamento: "Serão retirados automaticamente do quadro todos os juízes que não realizarem os cursos obrigatórios de atualização, assim como não terem julgado concursos nacionais ou realizado SJ e SI há mais de três anos." Para chegar a Comissário 3★ no adestramento, o requisito é literalmente internacional — "Integrar Lista de Comissários Internacionais de Adestramento FEI 1*".

E a multa

Junto das normativas está, na página de regulamentos vigentes da CBH, a Política de Advertência e Sanções para Oficiais, datada de "Rio de Janeiro, 25 de março de 2026" e assinada por Daniel Cesar Maranhão Khury e Pedro Paulo Lacerda.

O cartão de advertência tem validade de "12 (doze) meses, contados a partir da data de sua emissão". Reincidência dentro de três meses custa "Suspensão de 1 (um) mês das atividades como oficial" e "Aplicação de multa no valor de R$ 2.000,00". Reincidência grave em dois anos leva a curso obrigatório e rebaixamento de nível. O oficial tem "15 (quinze) dias para apresentação de defesa".

O que dispara tudo isso é definido de forma ampla. Falta grave é a "conduta inadequada, falha técnica relevante ou descumprimento de regulamentos que, a critério da Comissão, comprometa a integridade, a segurança, o bem-estar animal ou o bom andamento da competição". A expressão "a critério da Comissão" está no documento.

O relógio que já está correndo

As normativas de salto e de adestramento trazem a mesma data-limite: "Para o ano de 2026 o limite final de solicitações para realização de cursos é 31 de outubro de 2026", e 30 de novembro para os cursos de janeiro de 2027. Da publicação desta matéria até 31 de outubro são 61 dias. Quem precisa de curso para manter o nível tem dois meses para pedir. O prazo da CBH para processar uma promoção, diz o texto, é de "30 dias úteis contados a partir do envio da documentação". Há ainda um detalhe de custo: em cursos por projeto de incentivo não se cobra inscrição, mas "para o ano de 2026 o valor da taxa de administração pode ser até R$ 150,00".

O que estes números não dizem

Não dizem quantas pessoas isso atinge. O comunicado de 2 de julho promete: "Em breve, será publicada a lista atualizada dos Oficiais Técnicos da CBH nesse comunicado e nas respectivas seções das modalidades." Sessenta dias depois, não localizamos essa lista, e a página de Comissão de Oficiais e Juízes linkada na própria página de regulamentos devolveu erro 404 na nossa leitura. Sem o quadro publicado, não há como calcular quantos juízes, comissários e desenhadores ficam abaixo da nova régua — nem quantos serão rebaixados por não terem quatro eventos nacionais em dois anos.

Não dizem se a multa já foi aplicada a alguém. A política é de março; não encontramos registro público de aplicação, e ausência de registro não é ausência de fato.

E não dizem se as três réguas diferentes são desigualdade ou adequação. Há uma leitura favorável à Confederação, e ela é razoável: o salto tem muito mais concursos, uma escala de estrelas consolidada e alturas fixadas por nível, o que torna natural escalonar mais. O hipismo completo tem quadro menor e menos eventos por ano — uma régua rígida demais ali pode simplesmente esvaziar a lista de oficiais e deixar provas sem júri. A própria Erica Sporiello diz que a mudança nasceu dos oficiais: "Houve uma alteração nas normativas a partir da grande experiência desses oficiais e da forma como vivem o dia a dia dentro dos concursos." Nada nos documentos contradiz isso.

Uma limitação nossa, e ela é grande: lemos o que vale agora, não o que valia antes. Não localizamos as versões anteriores das três normativas. Por isso esta matéria diz o que a régua é — não diz o quanto ela subiu. Se alguém tiver as versões anteriores, elas valem mais que este texto.

Fonte da informação: Normativa – Orientações Oficiais Técnicos Salto 2026 (14 de junho de 2026), Normativa – Orientações Oficiais Técnicos Adestramento 2026 (28 de maio de 2026) e Normativa – Orientações Oficiais Técnicos Hipismo Completo 2026 (28 de maio de 2026), publicadas pela CBH no comunicado de 2 de julho de 2026; Política de Advertência e Sanções para Oficiais – CBH (25 de março de 2026), na página de regulamentos vigentes; e a matéria da CBH de 28 de agosto de 2026 sobre a atualização das normativas, de onde saem as falas de Erica Sporiello. Todos os números são dado oficial, transcritos dos documentos da própria Confederação; onde dizemos que algo não consta, é constatação da nossa leitura, não declaração de terceiro. Capa: arte BrazHorse sobre a tabela de idades mínimas da normativa de salto; não é fotografia.

Números apurados na base do BrazHorse, a partir do Ranking de Coberturas da ABCCH (temporada 2025/2026) e do catálogo próprio. Cada página de dado citada aqui declara sua fonte e o que não está coberto.

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