11 a 22 anos: o Brasileiro Jovem Cavaleiro premiou cavalos mais velhos que o limite do Circuito de Cavalos Novos
O Campeonato Brasileiro de Jovens Cavaleiros distribuiu doze lugares de pódio na Casa CBH entre 10 e 13 de setembro. Localizamos sete desses cavalos no stud book da ABCCH: o mais novo tem 11 anos, o mais velho tem 22, e cinco dos sete carregam marca de reprodução assistida. O Circuito CBH de Cavalos Novos, que o país vem organizando, para nos 8.
Redação BrazHorse · 15 de setembro de 2026 · 9 de leitura

O Campeonato Brasileiro de Jovens Cavaleiros correu de 10 a 13 de setembro na Casa CBH, em Indaiatuba (SP). A CBH publicou os pódios em 14 de setembro, às 20h56 no horário universal — 17h56 em Brasília.
São quatro categorias, separadas por altura, do 1 m ao 1,35 m. Doze lugares de pódio, doze cavalos. Fomos ver quem são esses cavalos no stud book brasileiro.
Os quatro campeões, como a CBH publicou
Jovem Cavaleiro Top, 1,30/1,35 m: Eduardo Urbanski Almeida com Little Queen Ram (IA), 0 pp, 0/41s32. Jovem Cavaleiro, 1,20/1,25 m: Lara Mocellin Ramon com Qalei Star MC Brasil (IA), 0/36s54. Jovem Cavaleiro A, 1,10/1,15 m: Catarina Carvalho Salbego com Zartoes, 0/38s29. Jovem Cavaleiro B, 1/1,05 m: Isabela Bisscotti Perondi com Gold Big Chok Doce 9 (TE), 0/34s58.
Os vices: Julia Fagundes Pavan com Emiliano do Araucária (IA) no Top, Carlota Meneghal Vilela com Champ HR (IA) no JC, Ana Julia Ribeiro da Silva com LF King of Silver (IA) no JCA e Beatriz Carregosa Tavares Saraiva com Luluzinha no JCB.
Os terceiros: Isabella Vasconcelos Esteves Tovani com St Cloud S (IA), Yasmin de Sousa Franco com Cohnan SJS, Nina Gottschalk com HGG Cathy e Ana Clara Rodrigues Pereira Junot com Flicka.
Sete dos doze cavalos estão na base da ABCCH — e nenhum tem menos de 11 anos
Little Queen Ram (IA), registro 0020847-BH, nascida em 31 de dezembro de 2012, por Chester Z e Queensday Z, criada pelo Haras Premiere, com nascimento registrado na Genetic Jump. Não importada. Tem 13 anos.
Emiliano do Araucária (IA), 0019553-BH, 23 de outubro de 2011, por Emilion e Cherry Pie, criado pelo Haras Araucária. Não importado. 14 anos.
Qalei Star MC Brasil (IA), 0020341-BH, 13 de novembro de 2012, por Vleut e Casa Real MC Brasil, criado pelo Centro Equestre MC Brasil. Não importado. 13 anos.
Champ HR (IA), 0019483-BH, 15 de outubro de 2011, por Flipper d Elle e Bacarole VDL, criado pelo Haras Refúgio. Não importado. 14 anos.
LF King of Silver (IA), 0022326-BH, 17 de janeiro de 2015, por Carosso VDL e LF Dolly Gris (IA), criado pelo Shenandoah Horse Center, com nascimento registrado na Genetic Jump. Não importado. 11 anos — o mais novo que localizamos.
HGG Cathy, 0019499-BH, 26 de outubro de 2011, por Carthoes-B Z e HGG Ecklypse, criada pelo Haras HGG. Não importada. 14 anos.
Zartoes, registro 528003200406483, nascida em 15 de março de 2004 na Holanda, por Lupicor e Partoes, criada por A. van de Goor, em Herpen. Importada. 22 anos.
11, 13, 13, 14, 14, 14 e 22. São as idades, em anos completos hoje, dos sete cavalos de pódio que localizamos no stud book.
O contraste: o circuito que o país constrói para cavalos novos termina aos 8
O BrazHorse passou boa parte de agosto e setembro escrevendo sobre o Circuito CBH de Cavalos Novos 2026/2027, cujas categorias vão de 4 a 8 anos, com 13 etapas mapeadas e uma normativa em terceira versão.
O cavalo mais novo que localizamos neste pódio tem 11. A distância entre as duas pontas não é um defeito de ninguém, mas é um fato do calendário: o circuito que forma o cavalo e o campeonato que consagra o jovem cavaleiro não se encontram no mesmo animal, nem perto.
A égua de 22 anos
Zartoes é a única importada entre os sete e, de longe, a mais velha. Nasceu em 2004, na Holanda, e em 2026 deu a Catarina Carvalho Salbego o título brasileiro da categoria de 1,10/1,15 m com percurso limpo em 38s29.
Vinte e dois anos é idade de aposentadoria para muitos cavalos de esporte. Não sabemos nada sobre a rotina, o manejo ou o programa veterinário dela, e não estamos sugerindo nada: estamos registrando a data de nascimento que consta do stud book.
Cinco dos sete trazem marca de reprodução assistida
Little Queen Ram, Emiliano do Araucária, Qalei Star MC Brasil, Champ HR e LF King of Silver têm (IA) no nome de registro. HGG Cathy e Zartoes não têm marca. Cinco em sete.
Na base inteira, 9.018 dos 32.506 animais brasileiros de hipismo não importados carregam (TE) ou (IA) — 27,7%. Sete cavalos não fazem tendência, e a gente não está dizendo que fazem. É o quarto ponto de uma série que vimos acompanhando, e ela continua apontando para o mesmo lado: quanto mais alto o nível, mais frequente a marca.
Há um detalhe que está na própria matéria da CBH, sem depender da nossa base: olhando os doze nomes como a CBH os escreveu, a marca (IA) ou (TE) aparece em 3 dos 3 pódios da categoria mais alta, 2 de 3 na segunda, 1 de 3 na terceira e 1 de 3 na mais baixa. Sete em doze no total, com o topo cheio e a base rala. Doze nomes é pouquíssimo para concluir qualquer coisa, e não estamos concluindo. Mas é a mesma direção dos outros três pontos.
Dois dos sete têm o nascimento registrado na Genetic Jump, com criadores diferentes entre si — Haras Premiere e Shenandoah Horse Center. O local de nascimento e o criador são campos distintos, e essa diferença é justamente o rastro do centro de reprodução.
A conferência cruzada que saiu de graça
A CBH escreve as marcas (IA) e (TE) ao lado dos nomes na própria matéria de pódio. O stud book da ABCCH é outro documento, de outra entidade, que não cita a matéria da CBH. Nos cinco cavalos em que os dois documentos falam do mesmo animal e trazem marca, eles concordam — cinco de cinco.
Sete cavalos, sete criadores
Haras Premiere, Haras Araucária, Centro Equestre MC Brasil, Haras Refúgio, Shenandoah Horse Center, Haras HGG e A. van de Goor. Nenhuma casa aparece duas vezes.
É o oposto exato do Time Brasil de salto do Odesur, que saiu inteiro da mesma casa — 6 de 6 com relação ao Agromen, como publicamos em 1º de setembro. E é uma foto parecida com a do time do cross, que tinha três criadores para cinco cavalos.
Um pai que já apareceu aqui esta semana
HGG Cathy é filha de Carthoes-B Z, o mesmo garanhão que é pai de Drosa Carthodio (TE), um dos cavalos convocados para o cross do Odesur, sobre quem escrevemos ontem. São dois animais de gerações e destinos diferentes — 2011 e 2017 — com o mesmo pai, aparecendo na mesma semana em duas matérias que não se planejaram juntas.
Os cinco que não fechamos
St Cloud S (IA): não localizamos nenhum registro contendo ST CLOUD na base. Cohnan SJS: não localizamos. O afixo SJS existe e é grande — o Sítio São José aparece como criador de dezenas de animais, quase todos com (IA) — mas o nome Cohnan não está entre eles.
Gold Big Chok Doce 9 (TE): existe na base um GOLD-BIG CHOK DOCE (TE), registro 0017988-BH, nascido em 15 de fevereiro de 2009, criado pelo Haras Chok Doce, não importado. Não afirmamos que seja o mesmo animal. O nome tem um hífen a mais e não tem o 9, e nome de pista pode ser diferente de nome de registro. Se for o mesmo, são 17 anos, e a faixa etária do pódio ficaria ainda mais alta. Publicamos como pergunta, e aceitamos correção.
Luluzinha: há uma só na base, nascida em 1973. Não é a mesma. Flicka: há quinze homônimas, e nenhuma delas é identificável a partir do que a CBH publicou.
O que estes números não dizem
Não dizem que cavalo velho é melhor. Dizem que, neste campeonato, nos lugares de pódio que conseguimos identificar, os cavalos eram velhos. É diferente.
Não dizem nada sobre os cinco cavalos que não fechamos, e cinco de doze é muita coisa. Se todos eles fossem jovens, a faixa mudaria. Não temos como saber.
Não dizem se o jovem cavaleiro é dono do cavalo, se o arrendou, se o monta há um ano ou há cinco. Essa é a informação que explicaria a idade, e ela não está em nenhum dos dois documentos que lemos.
E não dizem se isto é específico do Brasil. Não comparamos com campeonatos juvenis de outros países, e não vamos fingir que comparamos.
Procedência: os pódios, os tempos, as penalidades e as marcas (IA) e (TE) nos nomes são OFICIAIS, lidos na matéria da CBH publicada em 14 de setembro de 2026. Registros, datas de nascimento, pais, mães, criadores, local de nascimento e a condição de importado são OFICIAIS do stud book da ABCCH. As idades, as contagens, o cruzamento entre os dois documentos e o contraste com o Circuito de Cavalos Novos são apuração NOSSA. A hipótese sobre Gold-Big Chok Doce é uma pergunta aberta, não uma identificação. Imagem: CBH, foto de Carol Cotrim (Jovem Cavaleiro Top).
