33s03, 34s12 e 34s51: os três mais rápidos do Clássico CSI4* do Indoor nasceram no mesmo haras de Orlândia
Cornetino JMen, Kandara JMen e C-Thunder JMen fizeram as três voltas mais rápidas sem falta da prova de 1,45 m na Sociedade Hípica Paulista. Os três nasceram no Haras Agromen, em Orlândia (SP), e têm o mesmo proprietário registrado no stud book. Do quarto ao sexto, todos vieram da Europa.
Redação BrazHorse · 23 de setembro de 2026 · 7 de leitura

O Clássico de 1,45 m da série internacional do 36º JHSF Indoor, disputado no sábado, 19 de setembro, na Sociedade Hípica Paulista, foi vencido por José Roberto Reynoso Fernandez Filho com Cornetino JMen: zero falta e 33s03. A vitória já estava no nosso registro desde domingo. O que não estava é o resto da classificação, publicada na terça-feira, 22, pelo Portal Cavalus.
Seis conjuntos aparecem na lista, todos sem falta. 1º Reynoso e Cornetino JMen, 33s03. 2º Arthemus de Almeida e Kandara JMen, 34s12. 3º Sérgio Henrique Neves Marins e C-Thunder JMen, 34s51. 4º Ivo Roza Filho e Pretty Ellen, 35s92. 5º Francisco José Musa e Kiesling de la Cense Au Bois, 35s92. 6º Gabriel Kayan Soares Magalhães e QH Princescornet do Santo Antônio, 36s46.
As três voltas mais rápidas da prova são de três cavalos nascidos no mesmo lugar: o Haras Agromen, em Orlândia, no interior de São Paulo.
Os três primeiros, linha por linha do stud book
Cornetino JMen (TE), registro 0023610-BH, macho castanho nascido em 17 de outubro de 2017. Pai Cornet Obolensky, mãe Pia Lena JMen (TE). Criador e local de nascimento: Haras Agromen. Proprietário registrado: JMendonça Agrícola S/A. Não é importado.
Kandara JMen (IA), registro 0022947-BH, fêmea nascida em 9 de outubro de 2016. Pai Kannan, mãe Tindara JMen. Criador e local de nascimento: Haras Agromen. Proprietário registrado: JMendonça Agrícola S/A. Não é importada.
C-Thunder JMen (TE), registro 0023763-BH, macho nascido em 8 de dezembro de 2017. Pai Cornet Obolensky, mãe Chalanda JMen I (TE). Criador e local de nascimento: Haras Agromen. Proprietário registrado: JMendonça Agrícola S/A. Não é importado.
São três pais diferentes de dois garanhões: Cornet Obolensky nos dois machos, Kannan na égua. Não é uma ninhada, é uma casa. E a casa repete cruzamentos: a mesma dupla que gerou C-Thunder JMen em 2017, Cornet Obolensky e Chalanda JMen I, voltou a produzir em 18 de dezembro de 2024 o C Thunder II JMen, registrado no Haras Agromen em Orlândia. Chalanda JMen I tem 17 filhos na base; Pia Lena JMen, 13; Tindara JMen, 22.
Do quarto ao sexto, a Europa
A quinta colocada é a única dos três de baixo que casa exatamente com o nome de pista: Kiesling de la Cense Au Bois, registro 056007000K57222, fêmea nascida em 27 de maio de 2016 na Bélgica, filha de Greco Sitte, criada por Madame Corinne Preux, importada.
Os outros dois não casam, e isso se publica como pergunta, não como identificação. A quarta colocada aparece no Cavalus como Pretty Ellen BR; no stud book há uma só Pretty Ellen, a RR, registro 056002W00310070, fêmea nascida em 2 de maio de 2015 na Bélgica, filha de Thunder van de Zuuthoeve, importada, com proprietária registrada Thereza de Almeida Gonçalves Tourinho. Duas letras de diferença. Não sabemos se é a mesma égua.
O sexto colocado corre como QH Princescornet do Santo Antônio. No stud book há uma só Princescornet: a V/H Bildeken, registro 056002W00310750, fêmea nascida em 28 de maio de 2015 na Bélgica, filha de Cornet Obolensky, criada por Koen Gaublomme, importada. O sufixo do Santo Antônio é o de outros cavalos do mesmo cavaleiro, e a coincidência é forte. Mas nome de pista não é nome de registro, e nós não confirmamos.
Com essa ressalva de pé, a leitura é a seguinte: os três primeiros nasceram em Orlândia, os três seguintes na Bélgica.
O haras aparece no stud book com dois nomes
Quem quiser contar quantos cavalos o Agromen criou precisa contar duas vezes. No campo criador, a base traz 2.145 animais sob Haras Agromen, com nascimentos de 1984 a 2022, e outros 689 sob Agromen Agropecuaria Ltda., de 2006 a 2025. São 2.834 no total. Buscar só uma das grafias devolve uma casa 24% menor do que ela é.
O campo local de nascimento conta outra coisa: 3.224 animais nasceram no Agromen, 390 a mais do que os que a casa registra como criador. Dos que nasceram lá, 422 têm outro criador no registro, distribuídos por 7 criadores diferentes. O haras também é maternidade de terceiros.
E o afixo é a terceira contagem, que não bate com nenhuma das duas. JMen aparece em 3.675 nomes. Desses, 865 têm um criador que não é o Agromen, e 276 são importados. O afixo acompanha o dono, não o lugar onde o cavalo nasceu. Foi o que já tínhamos visto com o Haras da Vista e com o JMen em setembro, e vale de novo aqui.
Três de três com marca de reprodução assistida
Cornetino traz (TE), C-Thunder traz (TE), Kandara traz (IA). Os três primeiros do Clássico carregam no nome a marca de transferência de embrião ou inseminação artificial. Não é acaso da prova: entre os 2.827 animais não importados criados pelo Agromen, 1.810 têm (TE) ou (IA) no nome, 64,0%. Na faixa de nascimento de 2015 a 2019, a dos três, são 500 de 545, 91,7%.
O ponto de comparação mais próximo que temos é a base inteira de Brasileiro de Hipismo não importados: 9.018 de 32.506, 27,7%. Os dois recortes não são idênticos, porque o do Agromen não filtra por raça. A ordem de grandeza da diferença, porém, é grande demais para vir só disso.
Em outubro a casa recebe a prova
O CSN Agromen, de 15 a 18 de outubro, é ao mesmo tempo a 9ª etapa do Circuito Senior Top, a 9ª do Amador e Master e a 3ª etapa do Circuito CBH de Cavalos Novos 2026/2027. Reynoso lidera o Senior Top com 292 pontos na última contagem que lemos, a de 8 de 10 etapas.
O que este número não diz
Uma prova, seis colocados. Isto não mede se o Agromen cria cavalos melhores do que os outros criadores brasileiros, e não é um teste de criação nacional contra importado. A explicação mais simples é a concentração: os três estão registrados no nome do mesmo proprietário e foram montados por cavaleiros de ponta, um deles o líder do ranking nacional. Essa explicação é inocente e provavelmente é a certa.
Não sabemos quantos conjuntos largaram na prova, quantos foram eliminados nem quantos ficaram sem falta além desses seis. A lista que temos tem seis linhas e acaba aí.
A classificação do 2º ao 6º e os tempos são declarados pelo Portal Cavalus e não foram conferidos contra o resultado oficial. Tentamos: o sistema de resultados da Federação Paulista de Hipismo abriu hoje pela primeira vez em duas semanas, mas a URL que deduzimos para esta prova deu 404, e o sistema pede login. Só o vencedor está confirmado por fonte oficial, porque já o tínhamos lido no sistema da federação no domingo. Quem for repercutir os tempos, repercuta com essa ressalva.
A frase do vencedor, de que era a primeira vez que Cornetino saltava um Clássico, é declarada por ele ao Cavalus. Não conferimos a ficha de competição do cavalo. Se for exato, é uma estreia nessa categoria aos nove anos de idade, e não sabemos por quê.
O site da CBH não abriu para nós pelo quarto dia seguido. Tentamos hoje a página de comunicados, a home e a página de salto; as três voltaram com falha de conexão ao robots.txt. Não estamos dizendo que a CBH escondeu nada, e o problema pode perfeitamente ser nosso. Registramos apenas que não sabemos o que a confederação publicou desde 15 de setembro, e que não pedimos manifestação ao Haras Agromen nem à JMendonça sobre o que está nesta matéria.
Procedência: a vitória e o nome da prova são oficiais, do sistema de resultados da Federação Paulista de Hipismo. A classificação do 2º ao 6º, os tempos e a citação do cavaleiro são declarados pelo Portal Cavalus (22/09/2026), foto de Divulgação/Fellipe Saad, que não reproduzimos. Registros, pedigrees, criadores, locais de nascimento e proprietários são oficiais, do stud book da ABCCH. As contagens, o cruzamento entre as duas bases e a identificação por nome do 4º e do 6º colocados são nossos. Capa: arte BrazHorse gerada a partir do dado, sem foto.
