1 de 10 chegou a 1,60 m: o que aconteceu com o top 10 dos cavalos de 7 anos do Ranking CBH de 2017, e por que não achamos sete deles
Pegamos o ranking final de 2017 publicado pela ABCCH e fomos atrás de cada cavalo. Um chegou a 1,60 m em etapa de Copa do Mundo, uma ainda salta 1,05 m aos 16 anos, e de sete não achamos nenhum registro público
Redação BrazHorse · 21 de setembro de 2026 · 8 de leitura

Todo ano o Brasil forma uma turma de cavalos novos, e todo ano a pergunta é a mesma: quem vai chegar lá? A gente resolveu olhar para trás. Pegamos o ranking final de 2017 dos cavalos de 7 anos, publicado pela ABCCH, e fomos atrás dos dez primeiros. Hoje eles têm 16 anos. A carreira que tinham para fazer, já fizeram.
É o mesmo exercício que o site belga Hippomundo faz com os finalistas do Mundial de Cavalos Novos de Lanaken. Contamos o lado de lá em outra matéria (brazhorse.com.br/noticias/lanaken-jovens-campeoes-genetica-no-brasil). Esta é a versão brasileira.
1 de 10. Dos dez primeiros cavalos de 7 anos do Ranking CBH de 2017, só um tem registro público de prova a 1,60 m: Diegus Ipiranga, 17º numa etapa de Copa do Mundo em Curitiba, em 2022. De sete não achamos nenhum resultado depois de 2017.
O ponto de partida
O ranking de 2017 somou pontos de 13 concursos, do Cidade de Curitiba ao CSN Haras Agromen. Os dez primeiros, com os pontos que aparecem no documento da ABCCH: Acarole do Refúgio (229), Farese (187), Jennifer Pullman (176), Pialuna TOK (161), Catherine-C JMen (123), Diegus Ipiranga (108), Caliandra JMen I (103), Charlize-B JMen (103), Jolly Pullman (102) e Dorothy JSE (101).
Os dez estão no stud book. Nove são Brasileiro de Hipismo; uma, Farese, é Sela Holandesa importada. Nove são éguas. Três saíram do Haras Agromen e dois do Haras Pullman. Sete dos dez têm no nome a marca de inseminação artificial (IA) ou de transferência de embrião (TE).
Todos nasceram entre outubro de 2009 e março de 2010. Parece estranho ver cavalos nascidos em 2009 e em 2010 na mesma categoria, mas a janela bate com uma safra contada de julho a junho, como é comum no hemisfério sul. Não conferimos no regulamento de 2017 qual foi a data de corte.
O que aconteceu com cada um
Diegus Ipiranga (IA). Macho tordilho, Voltaire × Carlina, criado e nascido no Haras Ipiranga, proprietário Alexandre Plassa. Foi o sexto do ranking e é o único do grupo que chegou ao topo do salto brasileiro. Em abril de 2019 correu a etapa da Copa do Mundo no CSI2*-W de São Paulo, a 1,45 m, com Rodrigo Cristiano Collaço Chaves Nunes. Em 2022, com Carlos Eduardo Massenzi Filho, foi 17º na etapa de Copa do Mundo de Curitiba a 1,60 m (30/04), 13º numa prova de 1,50 m em São Paulo (10/06) e 29º na etapa de Copa do Mundo de São Paulo, a 1,55 m (12/06). Em janeiro de 2022 a Cavalus o citou entre os conjuntos em posição de substituição para uma vaga na final da Copa do Mundo. O último resultado que a FEI registra é de 12/06/2022.
A ficha da FEI (106FP57) bate com o stud book em data de nascimento (01/11/2009), sexo, pelagem, pai e proprietário. A Cavalus escreve "Voltaire x Capitol": é o formato pai × pai da mãe, e não uma mãe diferente.
Acarole do Refúgio. Égua, Azteca VDL × Bacarole VDL, criação do Haras Refúgio. Foi a primeira do ranking, com folga de 42 pontos. Em março de 2017 venceu a 1ª etapa do Torneio Ranking da Sociedade Hípica Paulista, a 1,25 m, com Marcos Ribeiro Junior. E continua em pista: em 22/05/2025 foi 8ª numa prova de 1,05 m do Ranking SHP, com a mesma família como proprietária. Não achamos nenhum registro dela acima de 1,25 m.
Farese. Égua tordilha, KWPN importada, Cornet Obolensky × Beaudine M, nascida em 28/03/2010 na Holanda. A FEI tem um Farese KWPN nascido em 2010 que hoje compete na Arábia Saudita, mas a ficha diz garanhão, baio, nascido em 13/02/2010. Não é o mesmo cavalo. Não achamos a nossa Farese em nenhum resultado depois de 2017.
Jennifer Pullman (IA), Pialuna TOK (IA), Catherine-C JMen (TE), Caliandra JMen I (TE), Charlize-B JMen, Jolly Pullman (IA) e Dorothy JSE (IA): não localizamos nenhum resultado depois de 2017. Procuramos pelo nome, com e sem a marca, cruzado com pai, mãe e criador, na FEI, nas federações e clubes, nos sites especializados e nos PDFs de resultado indexados.
Uma ponte com Lanaken
Jennifer Pullman é filha de Berlin, o mesmo garanhão de Sea Coast Coco Berlini, finalista do Mundial de 7 anos de Lanaken em 2015. Berlin tem 73 filhos com data de nascimento no stud book brasileiro, 64 deles nascidos aqui, e 20 deles da mesma safra de Jennifer (julho de 2009 a junho de 2010). A de Lanaken chegou a 1,50 m, segundo a tabela do Hippomundo. A nossa, até onde conseguimos ver, sumiu dos resultados.
O que este número não diz
"Não localizamos" não quer dizer "não competiu". O Brasil não tem uma base pública de resultados como a do Hippomundo. A FEI só registra concurso internacional. Os resultados dos concursos nacionais ficam espalhados em PDFs de clubes, e muitos não aparecem em busca. As páginas antigas de notícia da CBH são bloqueadas para leitura automática, e o site da CBH não abriu nenhuma vez nesta apuração. Uma égua desses sete pode ter virado matriz, pode ter corrido anos a 1,30 m num clube do interior, ou pode ter se machucado. Não sabemos, e não vamos adivinhar.
O "1 de 10" é, portanto, um piso: pelo menos um chegou a 1,60 m. Se algum dos outros nove tiver chegado, estava fora de tudo que conseguimos ler.
A comparação com Lanaken também é injusta. Lá é uma final mundial, com os melhores cavalos de 7 anos da Europa numa prova só, e eles são acompanhados por uma base de resultados que cobre décadas. Aqui é um ranking de pontos acumulados, e ranking premia quem corre muito. Não estamos dizendo que o cavalo brasileiro rende menos. Estamos dizendo que o registro dele some.
Os pontos por etapa no PDF da ABCCH não leem de forma estável, e por isso não publicamos a divisão por concurso. A ordem e os totais saíram iguais em duas leituras.
O que a gente quer saber
Se você é criador, proprietário ou cavaleiro de algum desses dez, queremos ouvir. Onde está Jennifer Pullman? Pialuna TOK virou matriz? E as três JMen, que somem dos resultados depois do ranking? Esta matéria é a primeira de uma série. A próxima olha para os 5 anos da mesma temporada.
Fonte: ranking final do Circuito CBH de Cavalos Novos 2017, 7 anos, publicado pela ABCCH (brasileirodehipismo.com.br); stud book ABCCH (base BrazHorse); FEI, fichas 106FP57 e 107MR75; resultados de CSI2*-W São Paulo 2019 (hippodata); Sociedade Hípica Paulista, Ranking de Salto 2017 e 2025; Cavalus (06/01/2022). Imagem: capa de dado gerada pela Redação BrazHorse, sem fotografia. O ranking e os resultados são dados oficiais; o cruzamento e a contagem são nossos.
