1 de 26: Felipe Juares de Lima e El Milagro Império Egípcio zeraram sozinhos o GP de 1,60 m de Santo Amaro
A prova mais importante do fim de semana no Brasil — 8ª etapa do ranking Senior Top e etapa seletiva sul-americana para a Final da Copa do Mundo 2027 — correu no domingo à noite e só teve placar público um dia depois. Fomos ver o que os seis primeiros cavalos são: três estão no stud book brasileiro, e o que venceu não está.
Redação BrazHorse · 8 de setembro de 2026 · 7 min de leitura

Último conjunto a entrar em pista, numa noite fria em São Paulo, Felipe Juares de Lima montou El Milagro Império Egípcio e fez o que ninguém mais fez no GP CHSA GWM Alta, a 1,60 m: zerou os dois percursos. Foi o único a zerar a primeira volta e repetiu no desempate, em 51s57.
26 conjuntos largaram. 13 se habilitaram à segunda volta. Um único terminou sem falta nas duas. As três contagens são da CBH, escritas em prosa na matéria dela; não somos nós que as contamos.
A prova é o Grande Prêmio do Concurso de Salto Internacional CSI-W2* do 91º Aniversário do Clube Hípico de Santo Amaro, correu no domingo, 6 de setembro, e teve armação da course-designer internacional Marina Azevedo. Ela vale como 8ª de 10 etapas do ranking brasileiro Senior Top e como etapa seletiva da Liga Sul-Americana para a Final da Copa do Mundo 2027.
O que a gente escreveu ontem, e o que mudou
A matéria de 7 de setembro sobre a vitória de Yuri Mansur em Valkenswaard abriu uma seção própria para dizer que este GP tinha corrido e que o resultado dele não estava publicado em lugar nenhum. A frase que usamos foi “não localizamos”, e ela continua correta para o momento em que fechamos aquele run. A CBH publicou a matéria de resultado em 7 de setembro, depois do nosso fechamento. O placar existe, é este, e ele está aqui.
O que não mudou é o fundo do problema. Entre a prova correr e o resultado existir publicamente passou-se cerca de um dia, e ele existe porque a assessoria da Confederação escolheu editar uma matéria sobre a prova. As duas páginas de programa da Federação Paulista continuam entregando horário e altura, nunca placar, e a seção de salto do site do clube continua devolvendo conteúdo de 2024. Não há, para um concurso nacional brasileiro, uma página de resultado por prova que qualquer pessoa possa abrir.
O pódio, como a CBH publicou
Vice-campeão foi o carioca Thiago Mattos com First do Santo Antonio de la Semois, égua sela francesa de 11 anos, com uma falta na primeira passagem e pista limpa na segunda. Em terceiro, o brasiliense Luiz Felipe Pimenta Alves com Bandoleiro Darco do Quiriri, Brasileiro de Hipismo de 11 anos, que trouxe oito pontos da primeira volta e zerou a segunda em 45s71.
O próprio Felipe Juares ficou também em quarto, com Schweinsteiger. Em quinto, José Roberto Reynoso Fernandez Filho com Gone Away; em sexto, Juliano Loureiro Carlos com Casabella JMen (TE).
A aritmética do texto da CBH fecha: ela escreve que Pimenta Alves terminou com oito pontos e que “outros três conjuntos também terminaram com somente oito pontos”. São exatamente o quarto, o quinto e o sexto colocados.
Felipe Juares, 47 anos, paranaense radicado em São Paulo, disse à CBH que monta o cavalo há pouco tempo: “O Milagro está sob minha sela há cinco meses, no máximo. Ele é um cavalo com muita coragem, muita força e está ganhando um pouquinho mais de controle, que é o que eu precisava nele.” Ele agradeceu aos professores Duda Marquesi e Djalma Ferreira Junior, ambos já falecidos, à memória do irmão Fernando e ao Haras Império Egípcio pela oportunidade de montar o cavalo. A frase sobre a montaria recente é dele sobre o cavalo, não uma medida de carreira.
3 de 6: o que a nossa base diz sobre os cavalos
Mantemos uma cópia da base de animais da ABCCH e a consultamos por nome. Dos seis cavalos que terminaram entre os seis primeiros, três aparecem nela e três não.
Bandoleiro Darco do Quiriri (TE), o terceiro colocado, é Brasileiro de Hipismo nascido em 6 de janeiro de 2015 no Haras do Quiriri, criado por Manoel Luiz Vargas e Silva, filho de Darco SH (IA) e de Lanessa JMen II (TE). A mãe leva o afixo da casa JMen. Os proprietários registrados são Bruno de Godoy Ribeiro e Luiz Felipe Pimenta Alves, o próprio cavaleiro.
Casabella JMen (TE), a sexta colocada, é Brasileiro de Hipismo nascida em 7 de janeiro de 2017, criada pelo Haras Agromen, filha de Clakson JMen I e de Casadora JMen, proprietário Wellington de Castro Uchoas Andrade.
Gone Away, a quinta colocada, não é de criação brasileira: a base a registra como Selle Français nascida na França em 15 de abril de 2016, criadora Madame Henriette Evain, filha de Cornet Obolensky, importada. A proprietária registrada é a JMendonça Agrícola S/A — a mesma casa do Haras Agromen. É a segunda ligação com o Agromen no mesmo pódio, uma pela criação e outra pela propriedade.
O cavalo que ganhou não está na base com esse nome
El Milagro Império Egípcio não aparece. A busca por “MILAGRO” na base devolve quatro registros, e nenhum é ele: El Milagro de Santo Domingo, um potro nascido em 2026; Medalha Milagrosa, uma Puro Sangue Inglês de 1998; e duas éguas chamadas Milagrosa, uma sem registro no stud book e uma importada da Argentina em 1977. Schweinsteiger, o quarto colocado, também não aparece. First do Santo Antonio de la Semois, o vice, também não.
A explicação inocente precisa ser dita por extenso, porque é provável. Afixo de haras no nome de um cavalo muitas vezes é do proprietário ou do patrocinador, e não de quem o criou; um cavalo importado pode ganhar o nome da casa que o comprou; o nome de registro pode ser diferente do nome que aparece na pista; e a nossa cópia da base tem uma data de corte, o que sempre deixa animais de fora.
Vale dizer o que não estamos dizendo. Não estamos dizendo que El Milagro Império Egípcio não é brasileiro, nem que o haras não o criou, nem que há qualquer irregularidade. Estamos dizendo uma coisa só: com o nome que a CBH publicou, não conseguimos localizá-lo no stud book que consultamos, e por isso não temos como afirmar nada sobre a origem dele. O afixo, esse existe e é grande: 106 animais da base levam Império Egípcio no nome, 105 deles não importados, e 69 têm o próprio Haras Império Egípcio como criador, em duas grafias societárias. Isso é sobre o afixo, não sobre este cavalo.
O que este número não diz
O 1 de 26 do título é contagem da CBH, em prosa, e não nossa. Não existe lista de largada pública desta prova, nem placar por prova em nenhuma fonte que a gente consiga abrir. Não sabemos as faltas e os tempos do sétimo colocado em diante, não sabemos a premiação e não sabemos quantos brasileiros a mais estavam entre os 26.
Também não conferimos o efeito no ranking. A CBH escreve que Felipe Juares, José Roberto Reynoso e Stephan Barcha brigam pela liderança do Senior Top; isso é afirmação dela, e não checamos contra a tabela de pontos, que não localizamos publicada com a etapa já computada. E não localizamos publicado quantas vagas a Liga Sul-Americana dá para a Final da Copa do Mundo 2027, nem como as etapas seletivas se somam.
O que vem
A Copa Ouro do 91º CHSA, a 1,40 m, correu na segunda-feira, 7 de setembro, e encerrou o concurso. Até o fechamento desta matéria, o resultado dela não estava publicado. E a 2ª etapa do Circuito de Cavalos Novos da CBH correu dentro deste mesmo concurso, com a categoria de 4 anos efetivamente em pista, a 1,00 m e a 1,05 m, segundo o programa da Federação Paulista. Quem venceu e quantos largaram, ainda não sabemos. Vamos atrás das duas coisas.
Fonte da informação: matéria da Confederação Brasileira de Hipismo publicada em 7 de setembro de 2026 sobre o GP Internacional CHSA GWM Alta. O cruzamento dos seis cavalos foi feito por nós na base de animais da ABCCH. Imagem publicada pela CBH na cobertura da prova, crédito Imprensa CBH, imagens de Felippe Saad. O placar é dado oficial; o cruzamento de stud book é nosso.
