Mansur diz que soube da própria exclusão no vet check, por um terceiro — e que três ou quatro países já procuraram
Convocado e treinando em Aachen, o cavaleiro deixou a equipe na véspera da estreia. Em entrevista no evento, detalhou a sequência do domingo 16: montou, falou com o técnico e com o chefe de equipe, e diz que nenhum dos dois contou que a comissão havia mudado tudo na noite anterior.
Redação BrazHorse · 19 de agosto de 2026 · 4 min de leitura

Yuri Mansur estava convocado para o Mundial de Aachen com QH Alfons Santo Antonio. Estava em Aachen. Tinha treinado e, segundo ele, tinha sido informado de que saltaria. No domingo, 16 de agosto, véspera da estreia brasileira, anunciou nas redes sociais que não competiria.
Não posso aceitar a forma como a equipe é gerida.
A frase, dada em inglês ao World of Showjumping, foi a primeira versão pública do caso. Dias depois, em entrevista em vídeo gravada no próprio evento, Mansur detalhou o que aconteceu — e o relato desloca o assunto: sai da decisão técnica e entra na forma como a decisão foi comunicada.
A sequência do dia 16, segundo ele
No sábado, diz Mansur, a equipe estava definida e ele montaria. Não era oficial, mas era, nas palavras dele, extraoficial. Foi para casa.
No domingo de manhã voltou ao centro de treinamento onde a delegação estava concentrada, montou o cavalo, falou com o técnico e falou com o chefe de equipe. Segundo ele, a comissão havia se reunido na noite de sábado e mudado por completo o que estava decidido — e ninguém disse nada.
Ninguém teve ali a coragem de me dizer que tinham mudado.
À tarde, no vet check, ele conta que percebeu uma pessoa conhecida visivelmente desconfortável em falar com ele. Pressionou, e foi assim que soube. Em seguida chamou o caminhão, pegou o carro e foi embora.
Mansur afirma que, até o momento da entrevista, não recebeu contato do presidente da confederação nem do chefe de equipe. Diz que foi ele quem ligou, e que a conversa com o chefe de equipe foi dura.
Onze anos, e o que ele atribui à diretoria
O cavaleiro enquadra o episódio como o ponto final de um período longo: onze anos defendendo a equipe brasileira e presenciando, segundo ele, preferências por alguns cavaleiros, diferenças de tratamento e falta de estratégia.
Ele faz questão de tirar os colegas da conta. Diz que conversou cerca de uma hora com Rodrigo Pessoa em Aachen, cumprimentou todos, e que não há atrito com os outros cavaleiros. Para ele, o problema é de liderança, e a ausência dela empurra o conflito para quem monta.
Todo ano é a mesma coisa. Na equipe brasileira sempre tem um drama, sempre tem uma briga.
O custo esportivo, que não é pequeno
Mansur é um dos poucos brasileiros com resultado constante no circuito 5 estrelas. Perder um conjunto desses na véspera de um Mundial que vale caminho olímpico tem efeito imediato: o Brasil disputou a prova com quatro conjuntos em vez de cinco, e cinco é justamente o teto que a FEI permite inscrever para dar margem a imprevisto.
E é o segundo episódio público de atrito entre atleta de ponta e a confederação em ciclo olímpico recente. Quando a crítica vem de quem está dentro, e vem repetida, ela deixa de ser caso isolado e vira dado sobre governança.
O que muda daqui pra frente
Mansur diz que segue competindo normalmente, mas que não quer mais o tema equipe. E afirma que já foi procurado por três ou quatro países. Não disse que vai trocar de bandeira — disse que não sabe o que vai fazer e que não tem vontade de continuar dentro dessa estrutura.
A conta que ele faz, e que vale examinar
O argumento central da entrevista é numérico. Mansur estima que o Brasil tenha seis cavaleiros entre os cem primeiros do ranking mundial, e diz que cada um conquistou esse espaço por conta própria. A leitura dele é que o país produz resultado individual de elite e não converte isso em resultado coletivo — e que a causa não está nos atletas.
Se a estimativa estiver correta, é um plantel raro para um país fora da Europa. E aí a pergunta deixa de ser sobre uma convocação e passa a ser sobre por que seis cavaleiros de nível mundial rendem menos juntos do que separados.
O que a gente não sabe
Temos um lado. A Confederação Brasileira de Hipismo não respondeu ao World of Showjumping quando procurada, e não se manifestou publicamente sobre o caso até a publicação desta matéria. Não sabemos qual critério técnico motivou a mudança da equipe, se houve questão veterinária envolvida, nem o que a comissão entende ter comunicado e quando.
Também não conseguimos verificar de forma independente quantos brasileiros estão hoje entre os cem primeiros do ranking Longines. O próprio Mansur apresenta o número como estimativa, e assim ele está publicado aqui.
E uma nota sobre a troca de nacionalidade: mudar a bandeira sob a qual se compete é regulado pela FEI e não é imediato. Mansur não afirmou que pretende fazer isso — afirmou que foi procurado.
Fontes: entrevista concedida por Yuri Mansur à Chacco Marketing Communication, com reportagem de Shelly Ramírez, gravada em Aachen em 19 de agosto de 2026 — o áudio é em mistura de português e espanhol e foi transcrito automaticamente, e as citações foram editadas apenas para legibilidade, sem alteração de sentido. Declaração inicial e pedido de resposta à CBH apurados por World of Showjumping, em 16 e 17 de agosto de 2026. Contexto adicional em Horse Network. São declarações do atleta, não verificadas de forma independente por nós.
