O Brasil foi às três modalidades em Aachen. Os números dizem onde a gente está.
O adestramento voltou ao Grand Prix por equipes depois de oito anos, o CCE terminou em 13º entre 16 e o salto começa hoje com quatro conjuntos em vez de cinco. Um retrato sem consolo e sem drama.
Redação BrazHorse · 19 de agosto de 2026 · 5 min de leitura

O Campeonato Mundial FEI acontece em Aachen, na Alemanha, entre 11 e 23 de agosto. É a décima edição dos Jogos Mundiais, que reúnem todas as disciplinas em um único evento a cada quatro anos, e a primeira etapa do caminho para Los Angeles 2028. O Brasil inscreveu conjuntos nas três modalidades olímpicas.
Adestramento: a volta ao Grand Prix por equipes depois de oito anos
O Brasil apresentou quatro conjuntos no Grand Prix por equipes. É a primeira vez em oito anos que o país consegue montar equipe completa nesse nível. O treinador é o português Daniel Pinto, contratado até Los Angeles 2028.
João Victor Marcari Oliva e Feel Good VO NRW marcaram 70,714% e terminaram em 30º — a última vaga do Grand Prix Special, que dá acesso à disputa individual.
As outras notas: Nuno Chaves de Almeida com Noga, 66,273%. Murilo Augusto Machado com Jorge VO, 65,093%, em estreia mundial. Manuel Rodrigues Tavares de Almeida com Hermes, 60,761% — abaixo do esperado, com o cavalo reagindo às bandeiras da arena durante a piaffe.
No Grand Prix Special, disputado em 14 de agosto com horários antecipados por causa do calor, João Victor teve um dia ruim, com problemas de contato, e ficou fora do top 10. O ouro individual foi de Charlotte Fry com Glamourdale, 82,295%. Por equipes, a Alemanha venceu em casa com 235,063 — seu 13º título mundial.
CCE: 13º entre 16, e a distância cabe numa linha
O Brasil competiu com três conjuntos e terminou em 13º entre 16 equipes, com 318,4 pontos. Chefe de equipe: Leonardo Vani Fernandes. Os resultados acumulados nas três fases, em penalidades:
Rafael Mamprin Losano com Withington: 34,4 no adestramento, 50,0 após o cross e 54,8 no total. Marcio Carvalho Jorge com Royal Encounter: 31,2, 55,6 e 63,6 — a melhor nota brasileira de adestramento. Carlos Parro com Safira: 44,2, 85,4 e eliminação no salto final, computada como 200.
Os 200 pontos da eliminação de Parro são 63% do placar brasileiro. Sem eles, mantido o desempenho até o cross, o Brasil terminaria por volta de 204 pontos — nona colocação, à frente da Holanda.
O ouro por equipes ficou com a Grã-Bretanha (84,0), prata para a Alemanha (95,6) e bronze para os Estados Unidos (113,5). No individual, Michael Jung venceu com fischerChipmunk FRH, seguido de Rosalind Canter com Lordships Graffalo e Laura Collett com London 52.
Salto: começa hoje, com quatro em vez de cinco
A equipe anunciada em 23 de junho tinha cinco nomes: Luciana Diniz com Vertigo du Desert, Marlon Modolo Zanotelli com Dorette Old, Rodrigo Pessoa com Prins van't Eigenlo, Stephan de Freitas Barcha com Dinozo Império Egípcio e Yuri Mansur com QH Alfons Santo Antonio. Eduardo Pereira de Menezes e Pedro Muylaert ficaram como reservas. Chefe de equipe: Pedro Paulo Lacerda. Para este ciclo, a CBH contratou o alemão Franke Sloothaak, campeão olímpico, como treinador internacional.
Mansur anunciou a saída em 16 de agosto, na véspera da estreia, acusando a confederação de mudar a equipe sem comunicação. A CBH não se pronunciou.
A primeira prova, qualificatória de equipes e individual, é hoje. A segunda acontece em duas voltas, quinta e sexta, e define o título por equipes na sexta à noite sob refletores. A final individual é domingo, 23 de agosto. São 179 conjuntos de 55 nações inscritos.
O que estes números não dizem
Uma comparação direta de placar esconde uma diferença estrutural. No CCE, equipes de quatro conjuntos descartam o pior resultado. O Brasil foi com três, então contou tudo — inclusive a eliminação. Grã-Bretanha, Alemanha e Estados Unidos tinham margem de erro que o Brasil não tinha.
E um Mundial é um evento de pico, não uma média. Ele mostra quem chegou lá em uma semana específica, com um cavalo específico. Não mede profundidade de plantel nem regularidade de temporada. Serve como retrato, não como diagnóstico.
Fontes da informação: resultados oficiais do Campeonato Mundial FEI Aachen 2026, Confederação Brasileira de Hipismo (cbh.org.br), FEI, World of Showjumping, Eurodressage e Horse and Hound. Foto de capa: CBH / Divulgação, publicada com autorização — a confederação não identifica o fotógrafo na publicação de origem.
