R$ 150: pela segunda vez em cinco dias, o valor de um curso da CBH só aparece dentro do formulário de inscrição
A CBH anunciou um curso de armador de percurso para 28 a 30 de setembro, em Santa Catarina. O comunicado traz o título, uma imagem e um botão. O valor, R$ 150,00, está dentro do formulário do Google — como estava o R$ 550 do curso de juízes, anunciado cinco dias antes. E a página oficial de cursos da CBH continua parada em janeiro.
Redação BrazHorse · 9 de setembro de 2026 · 5 de leitura

A CBH publicou nesta terça, no seu índice de comunicados, o anúncio de um curso de formação de armador de salto com Rafael Ferrarez, de 28 a 30 de setembro, na Sociedade Hípica Catarinense. O comunicado tem três coisas: o título, uma imagem e um botão escrito Informações e inscrições.
Não diz quanto custa, quanto dura, quantas vagas tem, para quem é, nem até quando dá para se inscrever.
O botão leva a um formulário do Google. A primeira linha do formulário diz: “Valor da inscrição: R$ 150,00 por participante.”
É a segunda vez em cinco dias que o preço de um curso da CBH só existe do lado de dentro de um formulário do Google. Em 4 de setembro foi o curso de juízes de salto, a R$ 550,00. Agora é o de armador de percurso, a R$ 150,00.
O que está no formulário e não está no comunicado
O formulário se chama “Inscrição | Curso de Armador de Percurso – CBH”. Além do valor, a descrição informa que o pagamento é por Pix, para uma chave de CNPJ, com o comprovante enviado por WhatsApp para um número de celular. Não reproduzimos aqui nem a chave nem o telefone; os dois estão abertos na página, para qualquer pessoa que clique.
O formulário pede nome completo, data de nascimento, ID, RG, CPF, e-mail, endereço completo, telefone e federação.
E faz duas perguntas que não aparecem em lugar nenhum do comunicado. A primeira é “Qual modalidade de participação?”, com três opções: Formação, Atualização e Ouvinte, esta última descrita como “Para quem não possui ID”. A segunda é “Você já possui curso de armador de percurso?”, com as opções “Sim, há mais de um ano”, “Sim, há menos de um ano” e “Não tenho”.
Essa segunda pergunta é a mais interessante do documento. Ela separa quem fez o curso há mais de um ano de quem fez há menos, o que sugere que existe um relógio correndo — uma validade, um intervalo mínimo, algum critério que trata os dois grupos de forma diferente. O comunicado não menciona isso. A normativa de oficiais técnicos que a CBH publicou em agosto, e que já analisamos aqui, também não descreve esse relógio.
Três nomes para a mesma função
O comunicado chama de armador de salto. O formulário chama de armador de percurso. E a página oficial de cursos da CBH traz, em 30 de outubro de 2025, um “Curso presencial formação e atualização Desenhador de Percurso com Rafael Ferrarez” — mesmo instrutor, mesma divisão entre formação e atualização, terceiro nome.
Não estamos dizendo que são cursos diferentes. Provavelmente é o mesmo, e a variação é só de redação. Mas quem procura pelo nome que leu no comunicado não acha o histórico, e quem procura pelo histórico não acha o comunicado.
A página de cursos continua parada em janeiro
Reconferimos hoje o endereço cbh.org.br/cursos, a página oficial de cursos da confederação. O item mais recente continua sendo de 28 de janeiro de 2026, uma clínica de adestramento. Depois dele, a lista volta para novembro, outubro e setembro de 2025.
Nenhum dos dois cursos de setembro está lá. Nem o de juízes, que começa amanhã na Casa CBH, nem o de armador, que corre no fim do mês em Santa Catarina. São dois cursos anunciados em cinco dias, e a página que existe para listar cursos não lista nenhum dos dois.
A explicação favorável, escrita por extenso
Há uma leitura benigna disso tudo, e ela é plausível. O público de um curso de armador de percurso é pequeno e se conhece; a informação circula por federação e por WhatsApp muito antes de circular por site. O formulário do Google resolve inscrição e pagamento num lugar só, e quem se inscreve inevitavelmente lê o valor antes de pagar. Ninguém é surpreendido por uma cobrança.
O problema não é o inscrito. É quem ainda não é do grupo. A pessoa que está pensando em virar oficial técnico e abre o canal oficial da confederação para entender o caminho não descobre quanto custa, quanto dura, quantas vagas há, nem que existe diferença entre fazer o curso há mais e há menos de um ano. Ela precisa clicar no formulário de inscrição de um curso específico para descobrir as regras da carreira.
O que a gente não sabe
Não sabemos a carga horária. O formulário do curso de juízes trazia horários de início; este não traz nada além das datas do título. Não sabemos quantas vagas há, nem se existe prazo de inscrição — o formulário estava aberto quando o consultamos, e é só isso que podemos afirmar.
Não sabemos se este curso emite certificado oficial da CBH nem a que nível de formação ele corresponde. O do curso de juízes dizia, dentro do formulário, que valia como formação Nível 1. Este não diz.
E não sabemos o que a opção Atualização exige, nem por que a pergunta separa mais de um ano de menos de um ano. Procuramos e não localizamos documento público da CBH que descreva esse critério. Não estamos afirmando que ele não exista; estamos dizendo que não o encontramos.
Procuramos resposta da CBH sobre por que o valor não vai no comunicado. Até o fechamento desta matéria, não havia manifestação. Se houver, publicamos.
Fonte: Confederação Brasileira de Hipismo, comunicado “28 a 30/9 | Curso de Formação Armador de Salto com Rafael Ferrarez – Sociedade Hípica Catarinense”, de 8/9/2026, e o formulário de inscrição linkado por ele; página cbh.org.br/cursos, consultada em 9/9/2026. Capa: ilustração do BrazHorse, com imagem de fundo gerada por inteligência artificial — não é fotografia do curso, do local nem de qualquer pessoa citada. O valor de R$ 150,00 e as perguntas do formulário são transcrição literal de documento oficial. A comparação com o curso de juízes e a releitura da página de cursos são apuração nossa.
