2 de 4 vagas por critério objetivo: como a CBH vai escolher a equipe de adestramento para o Pan de Lima
O documento publicado em 8 de outubro define 5 conjuntos, MER de 58% e um mínimo de 2 CDIs — e não diz em nenhuma linha que o Brasil já tem vaga por equipes em Lima.
Redação BrazHorse · 9 de outubro de 2026 · 8 de leitura

A CBH publicou em 8 de outubro de 2026 o processo de seleção para a formação da equipe brasileira de adestramento para os Jogos Pan-Americanos de 2027, em Lima, no Peru, de 23 de julho a 8 de agosto de 2027.
O documento descreve cinco conjuntos, quatro titulares e uma reserva. E reparte as quatro vagas titulares em dois blocos de dois.
Dois lugares saem de uma conta: os conjuntos melhor classificados pela média de percentuais obtidos em competição. Os outros dois saem de indicação do treinador da equipe, com aprovação da comissão técnica. A vaga reserva, diz o texto, será atribuída ao conjunto subsequente mais bem classificado.
Metade da equipe titular sai da conta. A outra metade sai da indicação do treinador, com aprovação da comissão técnica. O documento publica as duas réguas na mesma página.
A conta, como o documento a descreve
Valem os testes Grande Prêmio e Grande Prêmio Special de concursos CDI de 3, 4 e 5 estrelas. O conjunto precisa cumprir o programa integralmente e participar dos dois dias de provas, conforme o programa da FEI.
Os percentuais obtidos são convertidos em pontos, somados e divididos pelo número de provas executadas, com três casas decimais. O desempate é pela média dos Grandes Prêmios e, se persistir, pela nota do último Grande Prêmio realizado.
Podem participar amazonas e cavaleiros brasileiros da categoria Sênior Big Tour que obtenham o MER, fixado em 58%.
O calendário que o documento fixa
A comissão técnica analisará os CDI de 3 estrelas de 1º a 31 de dezembro de 2026. A partir daí, é obrigatória a participação do conjunto em, no mínimo, dois CDIs realizados entre 1º de janeiro e 6 de junho de 2027, que é também a data limite de inscrição junto à CBH e ao COB.
O último CDI considerado deve ocorrer entre 27 de abril e 6 de junho de 2027. A manifestação de interesse dos atletas vai até 1º de janeiro de 2027, por e-mail à diretoria de adestramento. E a equipe será anunciada no dia 10 de junho de 2027.
Entre o anúncio da equipe e a abertura do Pan há 43 dias, pela nossa contagem do calendário.
Ter processo observatório não é ter vaga
Este é o ponto que o documento deixa em aberto, e vale dizer com cuidado. O texto afirma que as cinco vagas da equipe brasileira de adestramento para os Jogos Pan-Americanos de 2027 serão preenchidas da forma que ele descreve. Ele diz como preencher. Não diz que o Brasil está qualificado.
Em nenhuma linha o documento menciona o Odesur de 2026, onde o adestramento brasileiro foi prata por equipes, nem qualquer outro resultado de 2026. A única referência a 2026 é a janela de observação de dezembro.
No salto e no hipismo completo a situação é diferente, e nela a própria CBH se manifesta. A matéria de 27 de setembro sobre o salto diz, no corpo do texto, que o ouro por equipes no Odesur carimbou a vaga do país no Pan-americano 2027 em Lima, no Peru. A de 21 de setembro sobre o hipismo completo diz que o ouro também garantiu a presença nos Jogos Pan-americanos. Nas duas, a afirmação está no texto, não só no título.
Para o adestramento não localizamos nenhuma frase equivalente, nem no processo observatório, nem nas matérias da CBH que lemos, nem no PDF do sistema de qualificação do Pan, que pedimos duas vezes e nas duas devolveu erro 406.
Então: o processo observatório é um degrau, e um degrau alto, porque mobiliza calendário, MER e comissão técnica. Mas não é a vaga. Quem for repercutir, repercuta com essa ressalva.
Três assinaturas
O documento é assinado pela comissão técnica de adestramento, com três nomes: Daniel Cesar Maranhão Khury, com a linha de cargo Presidente CBH, Daniel Pinto, treinador da equipe brasileira, e Petra Garbade, veterinária e juíza.
Vale registrar uma coisa, porque é do mesmo dia. Os três documentos eleitorais que a CBH publicou em 8 de outubro trazem o mesmo nome com outra linha de cargo: Vice-Presidente no exercício da Presidência. Tratamos as duas linhas como as duas linhas que são, sem decidir qual descreve melhor a situação.
O que estes números não dizem
Não sabemos quantos conjuntos brasileiros têm hoje o MER de 58% em Sênior Big Tour. O documento não publica essa lista e nós não fizemos essa contagem.
O documento não nomeia um único evento observatório nem um local. Ele define janelas de datas e um nível de concurso, e deixa a lista de provas para o calendário internacional.
Não sabemos o que acontece se menos de quatro conjuntos alcançarem o MER dentro das janelas. O texto não prevê esse caso.
E não sabemos a data de emissão do próprio documento. Ele não traz número de versão nem data em cabeçalho ou rodapé. A data de 8 de outubro é a do comunicado que o publica, não a do papel.
Vale dizer o que não estamos dizendo. Nada aqui indica que a indicação do treinador seja menos criteriosa do que a média de percentuais. O documento lista, para todos os conjuntos, exigências de resultados, qualidade técnica, condição física do cavaleiro, postura, regularidade em treinamentos, avaliação veterinária e histórico do conjunto. A matéria aponta que são duas réguas, não que uma delas seja frouxa.
De onde vem esta matéria
Fonte: Confederação Brasileira de Hipismo, comunicado de 8 de outubro de 2026 e o PDF Processo de Seleção para a Formação da Equipe Brasileira de Adestramento 2027 Jogos Pan Americanos, mais as matérias da CBH de 21 e 27 de setembro de 2026 sobre o Odesur. Imagem: arte BrazHorse gerada a partir do dado, não é fotografia, e o comunicado não publica imagem. Dado OFICIAL quanto a vagas, MER, provas, janelas de data e assinaturas. A contagem dos 43 dias entre o anúncio da equipe e a abertura do Pan é NOSSA. A ausência de afirmação de vaga para o adestramento é o que não localizamos nas fontes que lemos, e não uma declaração da CBH de que a vaga não existe.
